Primeira policial brasileira na República Centro-Africana é do estado do Pará
BR

21 fevereiro 2020

Boina-azul Darilene Monteiro conta que muitos centro-africanos perguntam a ela sobre futebol e a vida no Brasil; para a militar, presença da mulher em missões de paz ajuda na prevenção de conflitos e na promoção do diálogo com a população.*

A primeira policial brasileira em serviço na Missão da ONU na República Centro-Africana, Minusca, é Darilene Monteiro.

Para a paraense, a atuação feminina tem forte impacto nos esforços internacionais para apoiar a estabilização.

Patrulha militar em Bangui, na República Centro-Africana. Foto ONU/Eskinder Debebe

Ordem

Em terras centro-africanas, as forças das Nações Unidas protegem civis, apoiam e capacitam as forças de segurança. A instabilidade no país do centro da África começou em 2012 com grupos que resistiam à autoridade do governo e acabaram em conflitos intercomunitários.

“Eu creio que a mulher é de grande importância aqui na Missão. Ela consegue desenvolver seu trabalho com a mesma eficácia que os homens. A presença feminina favorece ações estratégicas na prevenção de conflitos e ações menos violentas nas negociações sobre conflitos e na ordem proteção de civis. Eu trabalho no distrito 8 em Bangui. Chamam aqui 8e arrondissement. E lá eu tenho a oportunidade de fazer diversas patrulhas. Nós trabalhamos com patrulhas nas diversas comunidades, onde nós temos a oportunidade de conversar com as pessoas, conhecer seus problemas, suas necessidades, suas dificuldades e nós estamos ali justamente para oferecer esse apoio social.”

Foto: ONU/Evan Schneider
Metade da população centro-africana precisa de ajuda humanitária.

Acordo de paz

Mais de 400 oficiais da polícia de vários países partilham os desafios de uma nação que tenta se reerguer, um ano após a assinatura do acordo de paz entre o governo e 14 grupos armados. Quase um terço da força policial da ONU são mulheres.

Ciente dos desafios da sua primeira missão como boina-azul, Darilene destaca como as cores do Brasil fazem a diferença ao estabelecer uma “ponte” entre populações divididas por anos de conflito na República Centro-Africana.

Policiamento

“Para oferecer confiança e para transmitir confiança para essas pessoas. E oferecer segurança. Nosso trabalho também consiste em orientar, ajudar a polícia local. Em algumas orientações, nós transmitimos o melhor do nosso policiamento do nosso país para esses policiais locais, justamente para que eles possam melhor servir à sociedade centro-africana, da República Centro-Africana, e melhor servir à população.”

A imagem da bandeira nacional do Brasil vem gravada na manga esquerda do uniforme policial.

Este símbolo gera nas pessoas a vontade de saber mais sobre os esportes brasileiros, principalmente o futebol, e os jogadores.

A policial reitera que está empenhada em “dar seu melhor” diante da múltipla responsabilidade de representar a polícia de seu país e a própria Organização das Nações Unidas.

É neste ambiente que Darilene enfrenta desafios que incluem evitar o colapso deste entendimento e acompanhar as autoridades na transição no país que, em dezembro de 2020, realizará eleições presidenciais e legislativas.

 

*Com reportagem de Vladimir Monteiro, da Minusca.

 

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