Afeganistão e ONU consultaram jovens para formular primeira política ambiental do país
BR

20 fevereiro 2020

Mais de 40 anos de conflito danificaram florestas e aumentaram riscos de deslizamentos e desastres; combates e caças ilegais ameaçam saúde dos ecossistemas e biodiversidade; participação dos jovens foi entregue às autoridades em janeiro.

O governo do Afeganistão e o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, Pnuma, lançaram uma iniciativa para mobilizar a juventude na formulação da primeira política ambiental do país.

Em mais de 40 anos de conflito e insegurança pública, o Afeganistão sofreu as consequências do desmatamento, da perda de biodiversidade e também desastres naturais, deslizamentos de terra e outros prejuízos ao meio ambiente.

Painéis solares são vendidos nas ruas de Mazar-e Sharif, no Afeganistão. Foto: Unama/Sayed Barez

Desertificação

A vida selvagem foi um outro alvo dos combates e de caças ilegais.

A participação dos jovens ocorreu como parte de uma iniciativa do Pnuma com a Agência de Proteção Ambiental do Afeganistão.

Segundo o Pnuma, a mudança climática também impede o país de lidar com desafios sociais e de segurança. Os impactos de um planeta mais quente agravam problemas ambientais que estão sendo negligenciados há bastante tempo. A situação tem piorado o fornecimento de água, agravado a degradação e a desertificação.

Gênero

Um dos participantes, Mustafa Sarwar, estudante da Universidade de Cabul contou que o sonho dele era viver numa cidade sem lixo, ruídos, poluição do ar e da água.

Segundo a ONU, o envolvimento da juventude, realizado em workshops, com estudantes de províncias como Kandahar e Herat, contou com 120 participantes e priorizou a representação de gênero.

A coordenadora regional para desastres e conflitos do Pnuma, Lisa Guppy, afirmou que os desafios ambientais estão cada vez mais importantes no desenvolvimento do Afeganistão.

Vários participantes expressaram preocupação com as consequências da mudança climática e a realidade que terão que enfrentar durante a vida.

Estudantes da Universidade Balkh, por exemplo, lembraram que os períodos de seca têm sido mais longos e com impactos mais sérios.

Banco Mundial/Ishaq Anis
Participação dos jovens ocorreu como parte de uma iniciativa do Pnuma com a Agência de Proteção Ambiental do Afeganistão.

Voz ativa

Já alunos da Universidade de Cabul ressaltaram as consequências da poluição do ar causada pelos altos preços da energia elétrica.  Muitos moradores da capital afegã, que não podem pagar a conta de eletricidade, queimam plásticos, roupas e outros objetos para gerar energia.

Na última semana do ano, 17 pessoas morreram por causa das precárias condições do ar devido à poluição.

As sugestões e preocupações dos estudantes foram apresentadas ao primeiro evento de planejamento interministerial para a Política Nacional Ambiental. A iniciativa foi liderada pela Agência do Meio Ambiente afegã.

Para a coordenadora regional do Pnuma, o envolvimento dos estudantes era indispensável porque eles precisam ter uma voz ativa sobre o próprio futuro.

 

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