Falta de alimentos pode afetar metade dos sul-sudaneses nos próximos meses
BR

20 fevereiro 2020

Agências humanitárias veem formação de novo governo de unidade nacional, neste sábado, como oportunidade para melhorar situação; inundações e baixa produção de alimentos agravam situação da fome.

Cerca de 6,5 milhões de pessoas correm o risco de não ter a próxima refeição entre maio e julho deste ano no Sudão do Sul.

As Nações Unidas alertaram que o número corresponde a mais da metade da população. A crise ocorre no auge da chamada temporada de escassez.

Extremos

A informação foi divulgada pelo Governo do Sudão do Sul com três agências da ONU: FAO, Unicef e PMA.

Guia lembra que 74% das africanas atuam na economia informal e estão sendo fortemente afetadas pelas medidas de enfrentamento da pandemia.

A Classificação de Fase de Segurança Alimentar Integrada, IPC, aponta o risco de 20 mil pessoas enfrentarem níveis extremos de fome. Entre fevereiro e abril, elas passarão pelo IPC5 ou o nível máximo de “catástrofe” de insegurança alimentar.

A maior preocupação é as áreas mais afetadas pelas inundações de 2019. A segurança alimentar piorou ali desde a metade do ano quando fortes chuvas, no estado de Jonglei, causaram necessidades humanitárias urgentes. A situação é mais grave em municípios como Akobo, Duk e Ayod.

Otimismo

No entanto, o cenário é mais otimista para 1,7 milhão de sul-sudaneses em outras áreas de Jonglei e em estados vizinhos como Alto Nilo, Warrap e Bar el-Ghazal do Norte. A expectativa é de um progresso na situação alimentar até julho.

O número de pessoas enfrentando insegurança alimentar de emergência nessas áreas deverá baixar, após os impactos das inundações e da baixa produção de alimentos.

Estima-se que 33 municípios cheguem a um nível “emergencial” de insegurança alimentar em todo o Sudão do Sul. Em janeiro, cerca de 5,3 milhões de pessoas tiveram dificuldades para se alimentar ou estavam em níveis considerados de crise.

As Nações Unidas pedem apoio internacional urgente para vítimas de inundações no Sudão do Sul.

O representante da FAO no Sudão, Meshack Malo, destacou ter havido melhorias sazonais na produção de alimentos, mas chamou atenção para o número “perigosamente alto” de pessoas passando fome que ainda está crescendo.

Subsistência

O responsável disse que com o movimento da nuvem de gafanhotos do deserto é preciso apoiar mais à população sul-sudanesa para que possa retomar ou melhorar os meios de subsistência, a produção de alimentos e a resposta à praga.

O índice alerta para o aumento de preços de alimentos após o fim das reservas desde fevereiro. Outros fatores são deslocamento após inundações, insegurança, crise econômica e baixa produção agrícola.

Para o diretor nacional do PMA no Sudão do Sudão, Matthew Hollingworth, a insegurança alimentar é terrível no país. Ele destaca que as inundações fizeram recuar os progressos, mas disse ver com otimismo a formação do governo da unidade nacional no sábado como o “silenciar permanentemente das armas”.

O apelo aos parceiros é que façam mais para atender as necessidades urgentes dos mais frágeis, além de garantir que as comunidades se recuperem em todo o país e enfrentem eventos climáticos e crises alimentares que serão inevitáveis.

Crianças

As previsões alertam para cerca de 1,3 milhão de crianças que sofrerão desnutrição aguda em 2020. O número de menores desnutridos é mais alto em municípios afetados pelas inundações.

Distribuíçao de comida em Pieri, no Sudão do Sul.

O representante do Unicef no Sudão do Sul, Mohamed Ag Ayoya, disse que a agência apoiou a recuperação de mais de 90% de crianças que sofriam com desnutrição aguda grave nos últimos anos.

A proposta do Unicef é mudar como a desnutrição é abordada “adotando ações de prevenção em mesmo nível que o tratamento”. Estas devem ter impacto no acesso a alimentos, água, saneamento, higiene e serviços de saúde.

Segurança

O relatório cita ainda o impacto da paz e estabilidade relativas sobre a segurança alimentar no país. A expectativa é que a próxima época de seca seja menos severa, após cerca de 6,9 milhões de pessoas terem enfrentado insegurança alimentar em 2019.

A produção de cereais aumentou 10% com a assinatura do Acordo de Paz Revitalizado, em setembro de 2018. Desde então, o ambiente de segurança ajudou as populações a recuperar os meios de subsistência. Com as chuvas, os produtores tiveram um aumento na produção alimentar.

Menino de oito meses de idade com desnutrição grave no Hospital Infantil Al Sabbah em Juba, Sudão do Sul.
© Unicef/Sebastian Rich
Menino de oito meses de idade com desnutrição grave no Hospital Infantil Al Sabbah em Juba, Sudão do Sul.

 

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