ONU Mulheres inclui brasileira em lista de sete cientistas que moldaram o mundo
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11 fevereiro 2020

A física Márcia Barbosa pesquisa estruturas complexas da molécula de água; relação inclui a norte-americana Katherine Johnson, a polonesa Marie Curie e da sul-africana Kiara Nirghin.

A contribuição das mulheres à ciência é destacada pela ONU Mulheres como vital.  Elas descobriram medicamentos, assinaram invenções que mudaram o mundo e produziram pesquisas de longo alcance.

Mas, em muitos casos, esses avanços ​​são minimizados ou negligenciados.

Preconceito de gênero

Por muito tempo, as áreas de ciência, tecnologia, engenharia e matemática, conhecidas como Stem, na sigla em inglês, foram marcadas por preconceitos de gênero que excluem mulheres e meninas.

O acesso desigual à educação, tecnologias e posições de liderança afastou inúmeras mentes femininas das carreiras de Stem e impediu o progresso delas.

Mas apesar dos contratempos, algumas fronteiras do conhecimento científico começam a ser ultrapassadas para dar lugar à busca de soluções para desafios globais. Para a ONU Mulheres, o trabalho delas mudou a maneira como o mundo é visto, e por isso mesmo, suas histórias merecem ser contadas e recontadas.

Neste Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência, a agência preparou uma lista com sete exemplos de mulheres cientistas que todos deveriam conhecer. E uma delas é brasileira.

Márcia Barbosa

Márcia Barbosa é física especializada em estruturas complexas da molécula de água. Ela acredita que as anomalias da molécula podem ajudar a resolver os problemas de escassez de água doce.

A brasileira desenvolveu uma série de modelos de propriedades da água que podem melhorar a compreensão sobre uma ampla variedade de tópicos. Entre eles, como ocorrem terremotos, como a energia mais limpa é gerada e a forma de tratar as doenças. Em 2013, ela recebeu o Prêmio L'Oréal-Unesco para Mulheres na Ciência.

A física está empenhada em buscar uma igualdade maior para mulheres e meninas nas áreas de Stem. Ela organizou uma série de conferências sobre mulheres na física, escreveu artigos sobre diversidade geográfica e de gênero na ciência e ministrou seminários que examinaram a falta de mulheres no campo.

Tu Youyou

Tu Youyou é química-farmacêutica e investiga o tratamento da malária numa técnica enraizada na medicina chinesa antiga. Sua descoberta da artemisinina, um composto que reduz rapidamente o número de parasitas do plasmódio no sangue de pacientes com malária, salvou milhões de vidas.

Como estudante de farmacologia, Youyou aprendeu a classificar plantas medicinais, extrair ingredientes ativos e determinar suas estruturas químicas. No início da  carreira, ela passou anos nas florestas tropicais do sul da China, estudando as consequências arrasadoras da malária e textos médicos antigos sobre os tratamentos tradicionais chineses para a doença.

Após anos de pesquisa, Youyou e sua equipe encontraram uma referência ao absinto doce, usado na China por volta de 400 dC para tratar febres intermitentes, um sintoma da malária. Eles extraíram o composto ativo artemisinina, testaram e publicaram suas descobertas. Hoje, a Organização Mundial da Saúde, OMS, recomenda a terapia como primeira linha de defesa contra a malária.

Em 2015, ela e dois colegas receberam o Prêmio Nobel de Fisiologia ou Medicina, tornando-se a primeira chinesa a receber o Prêmio Nobel em qualquer categoria.

Sua descoberta continua a salvar vidas todos os dias.

Kiara Nirghin

A sul-africana, Kiara Nirghin, de 19 anos, conta que desde menina, fazia “perguntas sobre como o mundo funcionava".  Ela é vencedora da Google Science Fair 2016 por criar um polímero superabsorvente que pode reter mais de 100 vezes sua massa, potencialmente revolucionando a conservação da água e mantendo plantações saudáveis durante períodos de seca.

Fora isso, a ONU Mulheres destaca que a invenção é de baixo custo e biodegradável, feita de cascas de laranja e de abacate.

O interesse de Nirghin na conservação da água vem de sua experiência com a seca de 2015 em seu país natal. Ela ficou impressionada ao ver barragens de água, uma vez cheias até a borda, secarem.

A adolescente conta que "sempre soube que tinha que fazer algo para resolver a seca porque ninguém mais estava fazendo nada".

A ONU Mulheres observa que a descoberta de Nirghin tem potencial para ir muito além de sua cidade natal. Ao ser utilizado em campos agrícolas, o polímero superabsorvente pode aumentar a segurança alimentar em todo o mundo.

Atualmente, Nirghin continua sua pesquisa e estudos na Universidade de Stanford e defende que as meninas busquem seus interesses em Stem. Para ela, “envolver as meninas na ciência deve ser interesse de todos”.

Daria Koshkina
Katherine Johnson foi a primeira afro-americana a frequentar uma escola de pós-graduação e foi uma das poucas a trabalhar no programa espacial da Nasa.

Katherine Johnson

Katherine Johnson é matemática. Seus cálculos foram essenciais para a exploração espacial dos Estados Unidos. Como cientista da Nasa, ela calculou trajetórias, períodos de lançamento e caminhos de retorno de emergência que levaram os primeiros astronautas dos Estados Unidos ao espaço e à órbita da Terra.

De acordo com a ONU Mulheres, Johnson foi a primeira afro-americana a frequentar sua escola de pós-graduação e foi uma das poucas a trabalhar no programa espacial da Nasa. Ela enfrentou discriminação por causa de sua raça e sexo, mas sabia que pertencia à equipe.

A cientista conta que eles se acostumaram com ela “fazendo perguntas e sendo a única mulher lá.”

Hoje, aos 101 anos, Johnson é uma defensora firme de mulheres e meninas em Stem. Para ela, "as meninas são capazes de fazer tudo o que os homens são capazes de fazer."

A mensagem da cientista é: “descubra qual é o seu sonho e depois trabalhe nele, porque se você gosta do que está fazendo, vai se sair bem."

Marie Curie

Marie Curie era física e química. Sua pesquisa em radioatividade estabeleceu a base para a ciência nuclear moderna, dos raios X à radioterapia para o tratamento do câncer. Ela foi a primeira mulher a ganhar o Prêmio Nobel e a primeira pessoa a ganhar dois prêmios Nobel em duas categorias diferentes: Física e Química.

Curie cursou universidade na Polônia e doutorou-se na França. Ela e o marido descobriram dois elementos radioativos, o polônio e o rádio, e fundaram um instituto de pesquisa médica em Varsóvia.

A cientista também inventou unidades móveis de raios-X que ajudaram mais de um milhão de soldados feridos na Primeira Guerra Mundial.

Curie morreu de uma doença associada à radiação. Mas suas descobertas continuam a salvar vidas até hoje.

Segenet Kelemu

Segenet Kelemu é uma patologista das moléculas das plantas, cuja pesquisa de ponta é dedicada a ajudar os pequenos agricultores do mundo a cultivar mais alimentos e a sair da pobreza. Ela diz que sua vida é dedicada a "fazer a diferença na vida das pessoas e melhorar a agricultura na África."

Kelemu cresceu numa família de agricultores pobres na Etiópia e foi a primeira mulher de sua região a obter um diploma universitário. Ela conta que no vilarejo onde morava, "as meninas se casavam muito jovens”, mas que felizmente era rebelde demais para alguém arranjar um casamento".

Depois de anos estudando e trabalhando no exterior, Kelemu retornou à África para liderar uma nova geração de cientistas. Ela acredita que o "investimento na agricultura africana, e em pesquisa africana é, na verdade, investir na humanidade como um todo."

Kelemu recebeu o Prêmio L'Oréal-Unesco para Mulheres na Ciência em 2014, foi nomeada uma das 100 mulheres africanas mais influentes da Forbes África e selecionada como bolsista da Academia Mundial de Ciências em 2015.

Daria Koshkina
Maryam Mirzakhani foi a primeira mulher a ganhar a medalha Fields, o prêmio de maior prestígio em matemática.

Maryam Mirzakhani

Maryam Mirzakhani foi criada em Teerã, no Irã. Na infância, sonhava em ser escritora. Mas somente no ensino médio, que descobriu seu talento para a matemática, área que capturou sua criatividade e intelecto pelo resto da vida.

Em 1994, Mirzakhani se tornou a primeira aluna iraniana a ganhar a medalha de ouro na Olimpíada Internacional de Matemática, com 41 pontos de um total de 42. Em 2015, ela voltou a vencer com uma pontuação perfeita.

A iraniana-americana fez doutorado na Universidade de Harvard e foi uma das líderes nos estudos de dinâmica e geometria de superfícies complexas. Em 2014, ela se tornou a primeira vencedora da medalha Fields, o prêmio de maior prestígio em matemática.

Mirzakhani, que morreu em 2017, conta que quanto mais “dedicava tempo à matemática, mais se empolgava”. Ela lembra amar "a emoção da descoberta e o prazer de entender algo novo, a sensação de estar no topo de uma colina e ter uma visão clara".

A ONU Mulheres diz suas contribuições inestimáveis ​​para o campo da matemática perduram. E que sua carreira pioneira abriu o caminho para muitas matemáticas futuras.

 

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