Conselho de Segurança reúne-se sobre proposta dos EUA para Oriente Médio
BR

11 fevereiro 2020

Plano apresentado pelo governo do presidente Donald Trump propõe nova visão para solucionar o conflito israelense-palestino; sessão foi aberta pelo secretário-geral António Guterres, que reiterou compromisso da organização em apoiar ambas as partes para a solução de dois Estados: um israelense e um palestino vivendo lado a lado em paz e segurança.

O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, participa nesta terça-feira de uma sessão no Conselho de Segurança sobre o conflito israelense-palestino.

O encontro, de alto nível, e com a presença do presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas, está discutindo a recente proposta dos Estados Unidos para a região.

Para o chefe da ONU, as tensões e os riscos no Golfo estão atingindo níveis perturbadores. Foto: ONU/Mark Garten

Aumento

Guterres afirmou que estava preocupado com o aumento das tensões e da instabilidade ao redor do mundo, especialmente no Oriente Médio.

Para o chefe da ONU, as tensões e os riscos no Golfo estão atingindo níveis perturbadores. Ele citou o retorno de escaladas da violência nos conflitos na Líbia, no Iêmen e na Síria.

António Guterres acredita que o contexto ressalta a urgência de uma solução política para o conflito israelense palestino, que já dura muito tempo, e que permanece chave para a paz sustentável no Oriente Médio.

Resoluções

O secretário-geral voltou a reiterar o compromisso pessoal dele e o da ONU com o apoio às partes em questão e aos esforços para se chegar a uma solução de dois Estados: um palestino e outro israelense vivendo lado a lado em paz e segurança, e de acordo com a linhas anteriores a 1967.

As Nações Unidas não mudaram de posição e continuam mantendo as resoluções do Conselho de Segurança e da Assembleia Geral sobre o tema e às quais o Secretariado da ONU permanece obrigado.

Guterres explicou que a organização segue buscando a resolução do conflito com base nas resoluções da ONU, no direito internacional e em acordos bilaterais que preconizam a realização dos dois Estados.

O secretário-geral reiterou que o momento é de diálogo, de reconciliação e de razão. Ele votou a conclamar líderes israelenses e palestinos a demonstrarem a vontade necessária para avançar com o objetivo da paz duradoura.

Foto ONU/Loey Felipe
O coordenador especial da ONU para o Oriente Médio, Nickolay Mladenov, relatou algumas reações no terreno ao plano apresentado pelos Estados Unidos.

Terreno

Ao assumir a palavra, o coordenador especial da ONU para o Oriente Médio, Nickolay Mladenov, relatou algumas reações no terreno ao plano apresentado pelos Estados Unidos.

Segundo ele, assim que a proposta foi divulgada, começaram a surgir incidentes de violência nos Territórios Palestinos e em Israel. E que algumas lideranças israelenses teriam ameaçado com anexações no Vale do Jordão e outras áreas.

Para Mladenov, os que recusam a proposta não devem lançar mão da violência. Segundo o coordenador especial, é preciso se ater às resoluções do Conselho de Segurança sobre o tema, e evitar uma continuação do status quo que só levará palestinos e israelenses a se afastarem ainda mais.

Já o presidente da Autoridade Nacional Palestina, Mahmoud Abbas, reafirmou sua oposição à proposta dos Estados Unidos para o plano de paz.

Casas palestinas e assentamentos israelenses em Hebrom, na Cisjordânia. Foto: ONU News/Reem Abaza

Iniciativa

Ele disse que estava falando em nome de todos os palestinos e de vários órgãos internacionais, representantes da Europa e de países islâmicos.

Abbas acredita que o plano “legitima anexações ilegais de terras palestinas” e que representa uma iniciativa israelense e americana, que já foi rejeitada.

O presidente da Autoridade Palestina contou que a aplicação do plano será confrontada no terreno.  Segundo ele, a proposta não pode ser aceita por se tratar de uma “anexação por força militar” e fortalecimento do que chamou de um “regime apartheid”, que gratifica a ocupação das terras palestinas.

Knesset

Abbas agradeceu a membros do Conselho de Segurança, parlamentos ao redor do mundo, e até mesmo israelenses que rejeitaram o plano, além de outras organizações para que o consenso internacional prevaleça. 

Ao ser convidado para discursar, o embaixador de Israel junto às Nações Unidas, Danny Danon, afirmou que o presidente da Autoridade Nacional Palestina não tinha uma postura com relação a alcançar a paz porque se tivesse, ele não teria viajado para Nova Iorque, mas teria sim ido a Jerusalém discutir o processo com autoridades israelenses.

Ele citou o exemplo do ex-presidente do Egito, Anwar Sadat, que compareceu a Knesset, ao Parlamento israelense, como parte das negociações que levaram ao histórico acordo de paz com Israel.

Danon reafirmou que seu país está disposto a negociar a paz com os palestinos a qualquer momento, mas Abbas é que não deseja esta negociação.

 

 

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