Síria: ONU quer aumentar apoio a vítimas de deslocamento recorde em Idlib
BR

11 fevereiro 2020

Área do noroeste teve 700 mil novos deslocados em cerca de 10 semanas; Ocha anuncia grande operação humanitária para áreas afetadas; Acnur oferece mais aconselhamento psicossocial e serviços de emergência para crianças.

As Nações Unidas anunciaram esta terça-feira que cerca de 700 mil pessoas abandonaram suas casas em pouco mais de 10 semanas na cidade síria de Idlib e arredores, no noroeste. A maioria são mulheres e crianças.

O Escritório da ONU de Assistência Humanitária, Ocha,  revelou que o número de deslocados é o maior registrado durante esse período desde o início da crise na Síria há quase nove anos.

Crianças em um campo para deslocados em Idlib, norte da Síria. Foto: Ocha

Prioridades 

O recente deslocamento complica a situação humanitária já difícil de Idlib. O Ocha definiu como prioridade oferecer proteção, abrigo, comida, água, saneamento e higiene, além de serviços de saúde e educação de emergência.

O escritório enviou 230 caminhões com ajuda essencial como parte da grande operação humanitária em andamento no noroeste. O acesso desses artigos à Síria será garantido através das fronteiras de Bab al-Hawa e Bab al-Salam, como prevê a autorização do Conselho de Segurança.

Mais de 440 mil pessoas devem receber o carregamento com material de abrigo, água, saneamento e higiene.  

Foto: Unifeed
Criança refugiada um acampamento de deslocados em Idlib.

Assistência

O Ocha lembrou que o novo plano para cobrir as necessidades humanitárias para o noroeste precisa de um total de US$ 336 milhões para beneficiar mais de 800 mil pessoas em seis meses.

De acordo com as estimativas da ONU, existem cerca de 2,8 milhões de necessitados de assistência humanitária na região.

As Nações Unidas querem uma garantia de acesso humanitário seguro e sustentado das partes em conflito para a avaliação imparcial das necessidades locais e oferta de serviços aos afetados pela crise.

Em nota separada, a Agência da ONU para Refugiados, Acnur, destaca que a situação dos sírios está cada vez mais difícil em campos e áreas de assentamento superlotados. Os abrigos nas casas tornam-se cada vez mais escassos.

De acordo com a agência, famílias deslocadas ocupam muitas escolas e mesquitas, e já é quase impossível encontrar lugar em prédios inacabados.

Foto: Unicef
Hospital para mulheres e crianças em Idlib, na Síria, seriamente danificado por ataques aéreos.

Recursos

Para apoiar os necessitados, a agência entregou tendas e artigos essenciais incluindo cobertores. O Acnur alerta que somente uma pequena parte dos recém-deslocados serão beneficiados pela ajuda devido à limitação de recursos.

Com a atual situação,  aumentou a proteção aos deslocados em situação de maior  fragilidade e a oferta de aconselhamento psicossocial ou apoio de emergência com foco em crianças.

O conflito sírio causou a maior crise de deslocamento do mundo, com mais de 5,5 milhões de refugiados espalhados pela região. Estima-se que outros 6 milhões de sírios vivam como deslocados em diferentes áreas do país.

 

 

 

 

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