Na África, Guterres diz que é hora de avançar com o empoderamento real de meninas e mulheres
BR

8 fevereiro 2020

Para secretário-geral, elas fazem a diferença em todos os níveis das sociedade além de contribuírem para paz, desenvolvimento e crescimento econômico; neste sábado, a União Africana e a ONU lançarão livro sobre mulheres que defenderam a paz marcando os 20 anos da histórica resolução 1325 do Conselho de Segurança sobre o tema.

O secretário-geral participou de um Encontro de Alto Nível sobre Igualdade de Gênero e Empoderamento das Mulheres, em Adis Abeba, capital da Etiópia. 
 
António Guterres disse que as africanas tiveram um papel decisivo para a adoção da resolução 1325, do Conselho de Segurança, sobre mulheres, paz e segurança, aprovada há duas décadas. 
 

Marcos internacionais 

 
A resolução estabeleceu a inclusão das mulheres em todos os níveis de processos de paz. 
 
Este ano, o mundo marca o 25º aniversário da Declaração de Pequim e da Plataforma para Ação. Será também os 20 anos da resolução 1325, todos marcos internacionais sobre os direitos das mulheres. 
 
Ainda neste sábado, será lançando, em Adis Abeba, o livro comemorativo “Ela Defende a Paz”, compilado em parceria com a ONU e a União Africana. 
 
Guterres lembrou que a representação feminina na política dobrou, ainda que os homens continuem ocupando mais de 75% de todos os assentos em parlamentos pela África. 

 

O acesso das meninas à educação e a cuidados de saúde segue aumentando. 
 

Estudos 

 
A África é a única região do globo, onde há mais mulheres empreendendo do que homens. 
 
O chefe das Nações Unidas citou estudos indicando que acelerar a igualdade de gênero poderá aumentar em 10% na África, o crescimento econômico até 2025. 
 
Mesmo assim, muitos compromissos firmados há 25 anos continuam longe de cumprimento. 
 
Para Guterres, na África, assim como em outras partes do globo, ainda se vive num mundo e numa cultura dominada por homens. 
 
Ele afirma que a questão é de poder. E que como aprendeu desde menino, o poder geralmente não se dá, mas sim  
se toma. 
 

Trabalhos precários 

 
O secretário-geral ressaltou que a ONU atingiu absoluta paridade de gênero em seus níveis mais altos de gerenciamento, e que a organização caminha para paridade integral em 2028 em todos os níveis.  
 
Ao comentar os índices de pobreza na África, Guterres destacou que o desafio ainda tem um rosto feminino no continente.  
 
As mulheres seguem tendo trabalhos precários e permanecem realizando trabalhos sem salários incluindo o trabalho doméstico. 
 
PMA/Giulio d'Adamo
Mulheres cultivam a terra em Madagascar

Elas também seguem sendo as maiores vítimas do conflito, de deslocamentos e da instabilidade. 

 
O chefe da ONU pediu aos países africanos, que contribuam para as coalizões para ação de Pequim + 25, com a sociedade civil e outras partes. A iniciativa pretende promover a participação das africanas nos processos de decisão. 
 
Guterres defende o envolvimento das mulheres com suas comunidades, e o aumento da inclusão delas em níveis social, econômico e financeiro. 
 

Violência 

 
Ele destacou a proteção contra violência nas ruas e em casa. Além disso, para a completa inclusão, as mulheres e meninas têm de ter acesso às habilidade científicas, à inovação e à tecnologia.  
 
O chefe da ONU afirmou que existem chauvinismo masculino em lugares de alta tecnologia como o Vale do Silício, na Califórnia. 
PMA/Gabriela Vivacqua
Mulheres carregam ajuda humanitária do PMA em Thaker, no Sudão do Sul

 

Guterres finalizou dizendo que a liderança da União Africana e das Comunidades Econômicas Regionais e dos Estados-membros é fundamental para se atingir este objetivo. 
 
Ele acredita que a ratificação e prática do Área Continental de Livre Comércio da África deverá facilitar o movimento de negócios e invesvimentos para os 1,27 bilhão de africanos. 
 
E para as africanas, estas oportunidades importantes são reforçadas pela Ação Afirmativa Financeira para Mulheres na África. A iniciativa deve transformar o sistema bancários e de empréstimos para mulheres empresárias. 
 
O chefe da ONU afirmou que é preciso assegurar essas oportunidades de empoderamento das mulheres e meninas do continente. 
  

 

 

 

 

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