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Banco Mundial: doenças relacionadas à obesidade estão entre as três principais causas de mortes BR

Mulher indígena cozinha em uma cozinha doméstica, mexendo os alimentos em uma panela no fogão.
Foto: FAOALC Dados recentes mostram que desde 1975 a obesidade quase triplicou.

Banco Mundial: doenças relacionadas à obesidade estão entre as três principais causas de mortes

Saúde

Dados recentes mostram que desde 1975 obesidade quase triplicou e é atualmente responsável pela perda de 4 milhões vidas todos os anos; no Brasil, custos com saúde relacionados à obesidade devem dobrar, de menos de US$ 6 bilhões em 2010 para mais de US$ 10 bilhões em 2050.

Um novo relatório do Banco Mundial publicado nesta sexta-feira mostra que mais de 70% dos 2 bilhões de indivíduos com sobrepeso e obesidade do mundo vivem em países de baixa ou média renda.

Quatro crianças asiáticas pequenas sentadas em uma mesa de madeira ao ar livre, bebendo suco de caixinha.
Entre as medidas preventivas recomendadas pelo relatório está a redução de sal e bebidas açucaradas das dietas. Foto: FAO/ Vinod Ahuja

O estudo alerta que a obesidade tem um grande impacto nas economias nacionais e no capital humano, reduzindo a produtividade e a expectativa de vida e aumentando os custos de invalidez e assistência médica.

Mortes

O relatório “Obesidade: consequências econômicas e de saúde de um desafio global iminente” afirma que as doenças relacionadas a esta condição, como diabetes, problemas cardíacos e câncer, estão agora entre as três principais causas de morte no mundo, exceto na África Subsaariana.

Dados recentes mostram que desde 1975 a obesidade quase triplicou. Todos os anos, a condição é responsável por 4 milhões de perdas de vida.

Fatores

Os fatores que escalam a epidemia da obesidade incluem alimentos ultra processados ​​e açucarados, atividade física reduzida e rendas mais altas, que geralmente refletem num consumo maior de alimentos que não são saudáveis.

Dados do relatório indicam que países tão diversos como Brasil, México e Estados Unidos estão entre aqueles em que mais de um quinto das quilocalorias são provenientes de lanches.  

Custos

A estimativa, é de que nos próximos 15 anos, os custos da obesidade cheguem a mais de US$ 7 trilhões nos países em desenvolvimento.

Pesquisas mostram que os investimentos feitos hoje em intervenções econômicas na questão poderiam salvar 8,2 milhões de vidas nos países mais pobres e gerar US$ 350 bilhões em benefícios econômicos até 2030. Isso equivale a um retorno de US$ 7 por pessoa para cada dólar investido.

Na China, entre 2000 e 2009, os custos com saúde associados à obesidade aumentaram de 0,5% para mais de 3% das despesas anuais de saúde do país.

No Brasil, os custos com saúde relacionados à obesidade devem dobrar, de menos de US$ 6 bilhões em 2010 para mais de US$ 10 bilhões em 2050.

Uma exibição colorida de frutas e verduras frescas, incluindo bananas, abacaxis, tomates e folhas verdes, dispostas em pilhas.
A OMS destaca que as dietas devem conter uma grande variedade de alimentos frescos e nutrientes para manter o organismo trabalhando bem. Foto: Banco Mundial/Maria Fleischmann

Trabalho

Além do aumento direto dos custos com assistência médica, também existem custos indiretos associados. Entre eles estão a redução da produtividade no trabalho, absenteísmo e aposentadoria precoce, que afetam indivíduos e sociedades.

Muitos países ao redor do mundo também sofrem com o que é chamado de “duplo fardo da desnutrição”, relacionado aos altos níveis de atraso de crescimento e ao mesmo tempo, com aumento da obesidade.  De acordo com o Banco Mundial, isso compromete ainda mais o capital humano desses Estados.

Recomendações

O relatório enfatiza que, para evitar o aumento da obesidade nas gerações futuras, governos e parceiros de desenvolvimento devem adotar uma abordagem abrangente. O Banco Mundial destaca que sistemas eficazes de saúde primária serão cruciais, juntamente com um forte foco em medidas preventivas.

Essas ações incluem a obrigatoriedade de rotular os alimentos processados, a melhora da educação do consumidor, a redução de sal e bebidas açucaradas e o investimento em programas de nutrição infantil.

O estudo também destaca a importância de políticas fiscais fortes, como a tributação de alimentos não saudáveis e o aprimorando do design urbano, como áreas para o esporte nas escolas e trilhas para caminhada e bicicleta.