OMS: coronavírus faz busca por equipamentos individuais dobrar e gera escassez no mercado
BR

7 fevereiro 2020

O preço de produtos como máscaras subiu 20%; apesar de queda no número de novas infecções na China, chefe da OMS diz que casos podem subir de novo; até a manhã desta sexta-feira, havia 31.211 infecções e 637 mortes

O diretor-geral da Organização Mundial da Saúde informou que nos últimos dois dias, houve um número menor de novas infecções na China pelo coronavírus, o chamado 2019-nCoV. 

Tedros Ghebreyesus disse, em Genebra, que essa “é uma boa notícia”, mas ao mesmo tempo alertou “contra a leitura excessiva” destes dados, dizendo que “os números podem subir novamente”.

COBERTURA ESPECIAL: CORONAVÍRUS

A OMS está enviando kits de teste, máscaras, luvas, respiradores e aventais para todas as regiões do mundo.  ONU News/Jing Zhang

Casos

Até a manhã desta sexta-feira, em Genebra, haviam sido confirmados 31.211 casos na China com 637 mortes.

Fora desta nação, já existem 270 registros em 24 países, com 1 morte confirmada.

Com base em 17 mil casos analisados, foi observado que 82% deles apresentaram sintomas leves, 15% eram graves e 3% classificados como críticos.

Equipamentos

O chefe da agência também fez um alerta sobre a escassez no mercado de equipamentos de proteção individual, EPI. Ele explicou que atualmente, “a demanda é 100 vezes maior que o normal e os preços 20 vezes maiores”.

Tedros disse que “essa situação foi exacerbada pelo uso inadequado e generalizado de EPI fora do atendimento ao paciente.” Segundo ele, “como resultado, agora existem estoques esgotados e atrasos de 4 a 6 meses.”

O diretor-geral da agência da ONU avisou que “os estoques globais de máscaras e respiradores agora são insuficientes para atender às necessidades da OMS” e de parceiros.”

Centro de Controle e Prevenção de Doenças
Uma ilustração digital do coronavírus mostra a aparência do vírus em forma de coroa.

Linha de frente

A Organização Mundial da Saúde, OMS, estima que as equipes de emergência de saúde que estão atuando na linha de frente da resposta contra o vírus precisarão aproximadamente de 7% a 10% da capacidade do mercado em termos destes equipamentos.

Essa porcentagem pode ser maior para outros suprimentos críticos.

Tedros enfatizou que “os profissionais de saúde da linha de frente na China exigem a maior parte dos suprimentos de EPI.” Ele disse que conversou com a Rede de Cadeia de Suprimentos Pandêmica, que inclui fabricantes, distribuidores e provedores de logística, “para garantir que os produtos de EPI cheguem àqueles que precisam deles.”

Estoque

A rede estaria focada inicialmente em máscaras cirúrgicas devido à extrema demanda e pressões do mercado. De acordo com Tedros, o “estoque de EPI é limitado”.

O chefe da OMS destacou que a “primeira prioridade são os trabalhadores da saúde” e a “segunda prioridade são aqueles que estão doentes ou cuidam de alguém que está doente.”

A agência não incentiva o armazenamento de EPI em países e áreas onde a transmissão é baixa e pediu para que todos os países e empresas trabalhem com a agência para garantir o uso justo e racional dos suprimentos e o reequilíbrio do mercado.

Resposta

A OMS está enviando kits de teste, máscaras, luvas, respiradores e aventais para todas as regiões do mundo.

Até o momento, o Plano Estratégico de Preparação e Resposta, num valor estimado de  US$ 675 milhões nos próximos três meses,  recebeu promessas de US$ 110 milhões. Vários doadores já se manifestaram e a agência espera mais anúncios nos próximos dias.

Segundo agências de notícias, outras 41 pessoas de cruzeiro que está na costa do Japão fizeram testes com resultado positivo em coronavírus. Com isso, o número total de casos abordo chegou a 61.

Cerca de 3,7 mil pessoas estão no navio Diamond Princess, que ficará em quarentena em Yokohama por pelo menos duas semanas.

Testes para identificar possíveis infecções passaram a ser feitos no navio, depois que um homem de 80 anos de Hong Kong adoeceu com o vírus.

Ao responder a jornalistas, o chefe do Programa de Emergências em Saúde da OMS, Michael Ryan, informou que a agência está analisando com as autoridades japonesas formas de acompanhar esses pacientes, “porque neste momento, toda vez que há um novo caso, a quarentena se estende por 14 dias.”

Ryan explicou que é preciso “encontrar uma maneira de quebrar esse círculo e organizar os pacientes a bordo para que se possa retirar as pessoas do navio no devido tempo.”

 

 

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