Angola entre 10 países africanos doadores de recursos contra praga de gafanhotos
BR

7 fevereiro 2020

País de língua portuguesa também preside iniciativa de US$ 1 milhão; FAO destaca que é preciso agir agora; nuvens de insetos já ameaçam Sudão do Sul, Uganda, Eritreia, Arábia Saudita, Sudão e Iêmen.

Uma iniciativa de países africanos doou US$ 1 milhão à Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura, FAO, para combater a praga de gafanhotos do deserto que afeta o extremo leste da África.

Angola é uma das 10 nações que contribuíram com o Fundo Fiduciário para a Solidariedade da África, Astf.

Potencial

Até o momento, a agência da ONU recebeu 23% dos US$ 76 milhões necessários para controlar o alastramento da praga.

O diretor-geral, Qu Dongyu, pediu ações urgentes para combater as nuvens desses insetos com grande potencial de destruição.

Uma nuvem de gafanhotos de 1 km2, por exemplo, pode comer o equivalente à quantidade de 35 pessoas, num só dia.

De acordo com a diretora-geral adjunta do Clima e Recursos Naturais da FAO, Maria Helena Semedo, existe uma janela de oportunidade antes da próxima temporada de plantio e “é preciso agir agora”.

Deserto

Ela considera que a doação é um financiamento flexível para avançar rapidamente. Semedo está em Adis Abeba participando de reunião ministerial sobre gafanhotos do deserto em paralelo ao Encontro de Cúpula da União Africana, na capital da Etiópia.

Já a representante de Angola junto à FAO, Maria de Fátima Jardim, disse que a contribuição do Fundo de Solidariedade para a África é uma oportunidade a todos os países africanos e parceiros de recursos para apoiar o surto através da plataforma. Ela está presidindo o Comité Gestor da Astf.

Segurança Alimentar

De acordo com a FAO, a atual praga do gafanhoto do deserto é uma ameaça sem precedentes à segurança alimentar e meios de subsistência na Etiópia, no Quénia e na Somália. É considerada a praga migratória mais perigosa do mundo.

O Sudão do Sul e o Uganda estão também em risco e a preocupação é que novas nuvens sejam formadas na Eritreia, na Arábia Saudita, no Sudão e no Iêmen, à medida que os gafanhotos se espalham pelo Mar Vermelho.

A FAO atua com governos e parceiros em operações de vigilância e controle. A agência disse que tenta proteger os meios de subsistência e ajudar na recuperação e resiliência dos afetados a longo prazo.

A prioridade é aumentar as operações intensivas de controle terrestre e aéreo para detetar e reduzir o número de gafanhotos antes que os insetos ganhem mais espaço.

Foto: FAO/Yasuyoshi Chiba
Gafanhotos podem afetar a segurança alimentar de milhões de pessoas.

 

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