ONU pede intensificação de esforços para romper impasse político no Iraque
BR

31 janeiro 2020

Pelo menos 467 manifestantes foram mortos e mais de 9 mil ficaram feridos em protestos desde outubro passado no país; representante especial do secretário-geral para o Iraque disse que “perda contínua de vidas jovens e derramamento de sangue, todos os dias é intolerável”.

A representante especial do secretário-geral para o Iraque, Jeanine Hennis-Plasschaert, pediu mais esforços para romper o impasse político no país. Ela também fez um apelo por reformas importantes alertando que o uso da força custa vidas preciosas e não vai acabar com a crise.

Representante especial para o Iraque, Jeanine Hennis-Plasschaert, visita manifestantes feridos no hospital al-Kindi no Iraque (novembro 2019). Foto: Unami/Sarmad al-Safy

Hennis-Plasschaert afirmou que “a perda contínua de vidas jovens e o derramamento de sangue diário é intolerável.”

Protestos

Pelo menos 467 manifestantes foram mortos e mais de 9 mil ficaram feridos em protestos desde outubro passado, no Iraque.  Segundo ela, “o aumento recente no uso de munição real pelas forças de segurança, os relatos de disparos por atiradores não-identificados contra manifestantes e o contínuo assassinato de manifestantes e defensores dos direitos humanos são alarmantes.”

Hennis-Plasschaert destacou que “é fundamental que as autoridades iraquianas protejam os direitos dos manifestantes e garantam que o uso da força respeite padrões internacionais.” Fora isso, também é fundamental que “os autores de assassinatos e ataques sejam levados à justiça.”

A ONU alerta que um clima de medo e desconfiança só será prejudicial.

Cartucho

De acordo com o Escritório de Direitos Humanos da Missão de Assistência das Nações Unidas para o Iraque, Unami,  pelo menos 19 manifestantes morreram desde  17 de janeiro.  Mais de 400 teriam sido feridos por forças de segurança nas cidades de Bagdá, Basra, Dhi Qar, Diyala, Diwaniya, Karbala e Wassit.

Informações preliminares sugerem que a maioria das mortes e ferimentos foram por bala e pelo impacto do gás lacrimogêneo. Outras pessoas ficaram feridas quando forças de segurança bateram nos manifestantes com cassetetes.  

A maior parte da violência ocorreu quando a polícia tentou eliminar barreiras nas estradas ou dispersar manifestantes. Num desses incidentes para liberar uma rodovia perto da Praça Tahrir, 11 pessoas perderam a vida e 53 ficaram feridas.

Ativistas

A Unami afirma que os assassinatos de manifestantes e ativistas continuam.

Desde 1º de outubro, houve pelo menos 28 incidentes envolvendo manifestações, jornalistas ou ativistas que foram alvo de homens armados ou dispositivos explosivos improvisados. Essas ocorrências teriam provocado a morte de pelo menos 18 pessoas.

Em meados deste mês, dois repórteres da Dijlah Television em Basra, foram mortos.

A Unami também continua a rastrear e monitorar relatos de ataques físicos contra manifestantes, incluindo facadas, desaparecimentos de manifestantes e ativistas e incidentes de ameaças e intimidações.

Para Hennis-Plasschaert, todos os esforços devem se concentrar em como implementar plenamente as reformas e iniciar um diálogo construtivo para enfrentar os problemas do país com espírito de unidade.

 A representante disse que “está na hora de restaurar a confiança, deixando de lado o partidarismo e agindo em nome do interesse do país e de seu povo.”  

 

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