OIT prevê aumento do desemprego nos países de América Latina e Caribe em 2020
BR

29 janeiro 2020

Mercados de trabalho da região atravessam momento de incerteza; taxa de desemprego média regional estimada para 2019 é de 8,1%, praticamente estável frente aos 8% de 2018; nível de desemprego entre os jovens é o mais alto em dez anos; Brasil teve queda na taxa de desemprego.

Segundo a Organização Internacional do Trabalho, OIT, os mercados de trabalho da América Latina e do Caribe atravessam um momento de incerteza que se reflete num pequeno aumento da taxa de desemprego regional e em sinais de precariedade do emprego que podem se agravar em 2020.

A observação foi feita nesta terça-feira, em Lima, no Peru, durante a apresentação da nova edição do relatório anual da agência.

Pessoas sem abrigo no Paraguai, Rocío Franco

Relatório

De acordo com o “Panorama do trabalho da América Latina e do Caribe 2019”, a taxa de desemprego média regional estimada para 2019 é de 8,1%, praticamente estável frente aos 8% de 2018. Esse percentual corresponde a mais de 25 milhões de pessoas que estão procurando emprego ativamente e não conseguem encontrá-lo.

O diretor regional da OIT, Juan Hunt, observou que “a situação do mercado de trabalho é complexa”.

Se a região continuar enfrentando uma situação de crescimento econômico moderado, a tendência de aumento do desemprego deve continuar, e pode chegar a 8,4% em 2020.

As últimas estimativas da Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe, Cepal, colocaram o crescimento médio de 2019 em 0,1% e a previsão foi de um nível baixo de crescimento para 2020, de 1,3%.

Desemprego

O aumento do desemprego foi predominante na América Latina, com um registro de aumento do indicador em nove de seus 14 países. No Caribe de língua inglesa, por outro lado, houve uma queda no desemprego de 0,7 %.

Ao mesmo tempo, o estudo destaca a relevância do Brasil e do México na média regional. O relatório aponta que, sem incluir esses dois países, a taxa média de desemprego registraria um aumento mais pronunciado de 0,5 %, no terceiro trimestre de 2019.

No Brasil, de acordo com esses dados, a taxa de desemprego em 2018 foi de 12,5%. Em 2019, esse índice caiu para 12,2%.

Mulheres

O relatório acrescenta que, apesar do aumento contínuo da participação das mulheres no mercado de trabalho, que atingiu 50,9% no terceiro trimestre do ano passado, essa taxa ainda está mais de 20 pontos percentuais abaixo da dos homens, que é de 74,3%

Além disso, o desemprego feminino aumentou 0,2 % em 2019 na média regional, passando para 10,2%, enquanto o dos homens permaneceu inalterado em 7,3%. Isso indicaria que o peso do aumento do desemprego regional afetou desproporcionalmente as mulheres.

Protestos

A OIT considera a situação dos jovens alarmante, já que, no terceiro trimestre, a taxa de desemprego regional era de 19,8% entre essa população. Isso significa que um em cada cinco jovens na força de trabalho não consegue encontrar emprego, o nível mais alto em dez anos.

Hunt lembrou que as recentes manifestações de cidadãos pedindo melhores oportunidades e maior igualdade “evidenciam a persistência de déficits no trabalho decente”. Para ele, “as oportunidades de acesso a um emprego decente e produtivo, com salário justo, inclusão social, proteção social e direitos trabalhistas, são fundamentais para responder às demandas sociais, para garantir que os benefícios do crescimento cheguem a todos e para garantir a governança.”

Economia

Em relação aos dados sobre a qualidade do emprego, o economista regional da OIT, Hugo Ñopo, explicou que “a dinâmica da desaceleração econômica observada desde meados de 2018 afetou tanto a estrutura como a qualidade dos empregos”.

Ñopo enfatizou que, desde 2018, é verificado um crescimento menor do emprego assalariado em comparação com o trabalho por conta própria, especialmente o não profissional. Ele declarou que esses são sinais de que, neste momento, existe “uma relativa precariedade dos empregos que estão sendo criados na América Latina e no Caribe”.

Demanda de emprego

O relatório também afirma que há uma tendência de aumento nos indicadores de subocupação por insuficiência de tempo de trabalho. O percentual de pessoas ocupadas que trabalham menos de 35 horas e desejam trabalhar mais aumentou em 10 dos 11 países com dados disponíveis.

Referindo-se à desaceleração econômica experimentada pela região no último ano, Ñopo alertou que “os impactos no mercado de trabalho ainda não estão totalmente refletidos”, devido à defasagem na demanda por emprego.

Para o especialista da OIT, o desafio para os países da região é “integrar os mais de 25 milhões de desempregados e dar emprego decente a um número ainda maior e diversificado de pessoas.”

 

 

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