Dois sobreviventes do Holocausto discursam na ONU em memória das vítimas
BR

27 janeiro 2020

Irene Shashar e Shraga Milstein, da Polônia, contaram os horrores impostos pelo regime nazista; Shashar pediu o apoio da ONU para combater o antissemitismo e Milstein enviou mensagem aos que negam a veracidade do genocídio.

A Assembleia Geral abrigou nesta segunda-feira uma cerimônia sobre o Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto.

O evento marca os 75 anos da libertação do campo de concentração de Auschwitz-Birkenau, mantido pelo regime nazista.

Secretário-geral da ONU, António Guterres, discursa na Assembleia Geral, Foto ONU/Evan Schneider

Minorias

No Holocausto foram assassinados 6 milhões de judeus, representantes de outras minorias e dissidentes políticos.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, alertou para uma “crise global de ódio antissemita”. Segundo ele, existe um “fluxo constante de ataques contra judeus, suas instituições e propriedades.”

O evento começou com uma Kadish, uma prece da tradição judaica, lida pelo rabino Arthur Schneier, da Sinagoga Park East, em Nova Iorque.

No evento, discursaram também dois sobreviventes do Holocausto, Irene Shashar e Shraga Milstein.

Irene Shashar, da Polônia, lembrou a sua história e disse que estava presente “para dizer que Hitler não ganhou.” Shraga Milstein deixou uma mensagem para quem não acredita que o genocídio aconteceu, contando como perdeu o seu pai, a sua mãe e outros membros da sua família.

Ataques

No seu discurso, Guterres afirmou que “a solidariedade face ao ódio é hoje mais necessária do que nunca”, porque existe “um ressurgimento preocupante dos ataques antissemitas em todo o mundo, incluindo em Nova Iorque.”

Apenas a 38km da sede da ONU, em janeiro, um ataque com faca durante uma festa de Hannukah na casa de um rabino deixou cinco pessoas férias. Semanas antes, quatro pessoas tinham sido assassinadas num mercado kosher em Nova Jersey.

Em 2019, Nova Iorque teve um aumento de 21% neste tipo de ataques, uma tendência que se repete em outras cidades dos Estados Unidos.

Guterres disse que a situação para os judeus na Europa não é melhor. Na França, os ataques aumentaram 74% em 2018. No Reino Unido, subiram 16%, atingindo um nível máximo.

História

Lembrando os crimes do Holocausto, o secretário-geral afirmou que “a lição mais importante do Holocausto é que não foi uma aberração cometida num momento específico da história por umas poucas pessoas indescritivelmente doentes.”

Segundo António Guterres, “foi o culminar de milênios de ódio, desde o império romano aos pogroms da Idade Média.” Ele disse que seu próprio país, Portugal, cometeu “um ato de total crueldade e estupidez expulsando a sua população judia no século 15.”

O secretário-geral afirmou que "os esforços de prevenção também devem combater a corrupção da linguagem.” Eufemismos e linguagem codificada não podem ser permitidas para esconder intolerância e crimes. Segundo António Guterres, “o Holocausto começou com palavras."

Memória

Já o presidente da Assembleia Geral, Tijjani Muhammad-Bande, disse que “as suas lembranças energizam a consciência coletiva por uma comunidade global mais inclusiva, pacífica e harmoniosa unida na sua diversidade.”

Bande disse que “todos devem fazer mais” para garantir que “o multilateralismo continua sendo um instrumento para resolver conflitos e evitar atos que podem levar à desumanização de outros e crimes hediondos como o holocausto.”

O presidente da Assembleia Geral contou que “sondagens recentes mostram que o conhecimento sobre o Holocausto está desaparecendo com cada geração.” Segundo uma sondagem recente, 66% dos jovens considerados millenials dos Estados Unidos não sabem o que é Auschwitz. Um em cada 20 europeus nunca ouvi falar sobre o Holocausto.

Bande disse que “é preciso garantir que as atrocidades do Holocausto não se repitam.” Segundo ele, “a responsabilidade de educar os jovens sobre estes crimes hediondos” é de todo o mundo.  

 

 

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