Em Davos, chefe da ONU diz que mundo sofre com incerteza e instabilidade
BR

23 janeiro 2020

António Guterres discursou no encontro anual do Fórum Econômico Mundial, que acontece na Suíça; ele falou sobre o Conselho de Seguranca, mudanças na organização e desafios ao desenvolvimento.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, disse esta quinta-feira que tem duas palavras para descrever o mundo de hoje: incerteza e instabilidade.

O chefe das Nações Unidas participou no encontro anual do Fórum Econômico Mundial, que acontece em Davos, na Suíça.

Ameaças

Guterres lembrou as quatro ameaças que colocam em risco o progresso do século 21: tensões globais, mudança climática, desconfiança global e o lado sombrio das novas tecnologias.

Ele destacou a mudança climática, dizendo que “pela primeira vez, há um limite físico às perspectivas de desenvolvimento” mundiais. Para o chefe da ONU, “o planeta não será destruído”, o que será destruído será a capacidade de os humanos viverem no planeta.

Apesar das dificuldades, “a boa notícia é que as pessoas estão mobilizadas” e que “grupos de jovens, sociedade civil, governos locais e, cada vez mais, o setor privado entendem a necessidade de ação climática imediata.”

Sobre a desconfiança global, Guterres afirmou estar “muito preocupado com a insatisfação que se vê à volta do mundo.” Ele disse que existe “uma falta de confiança das pessoas nos seus líderes políticos e na globalização.”

Para resolver esse problema, “os governos têm de perceber que precisam dar voz ao povo, respeitar liberdade de imprensa e criar condições para a igualdade de gênero.”

Desenvolvimento

O secretário-geral pediu que a comunidade internacional “atue em conjunto por uma globalização justa” em que “todos possam beneficiar.”

Ele destacou a importância dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, ODSs, e disse que tem notado, inclusive em Davos, como os ODSs se tornam “uma referência na forma como as empresas planeiam as suas atividades.”

Sobre o aumento das tensões geopolíticas, ele reconheceu que “tem sido muito difícil” lidar com esses desafios, mas tem feito “esforços enormes no Iêmen, Líbia, Síria.”

Ele destacou a crise no Golfo, dizendo que “felizmente foi possível evitar” uma escalada na violência, e a Conferência de Berlim sobre a Líbia, que aconteceu no fim de semana.

António Guterres falou ainda sobre o Conselho de Seguranca, apontando a incapacidade do órgão “de resolver as crises que enfrenta ou prevenir novas crises.” Ele disse que o Conselho “não é capaz de implementar as suas próprias decisões” e deu o exemplo do embargo de armas para a Líbia, que é desrespeitado “abertamente”.

Desenvolvimento e papel da ONU

Em conversa com o presidente do Fórum Econômico Mundial, Borge Brende, António Guterres destacou a cooperação entre as duas organizações na área econômica e tecnológica.

O secretário-geral destacou a “liderança muito importante” do Fórum no debate sobre o impacto da quarta revolução industrial e também na área da inteligência artificial, para que “seja uma força para o bem”.

Guterres disse que é sua “convicção profunda” de que é necessário aumentar a cooperação internacional para resolver estes desafios, mas que essa colaboração não pode acontecer da forma tradicional.

Ele disse que vê “cada vez mais” as Nações Unidas como deseja, trabalhando em rede com as outras organizações. Ele também defendeu um multilateralismo inclusivo.

Para o chefe da ONU, as organizações internacionais são “muito focadas nos governos nacionais, mas eles controlam cada vez menos e menos” e, por isso, é preciso integrar entidades locais, regionais, líderes empresariais e outros.

WEF/Pascal Bitz
Participante no Fórum em Davos, na Suíça

 

 

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