ONU prepara plano de ação para combater violência a civis na RD Congo BR

Pelo menos 19 pessoas foram mortas nos últimos dias em aldeias vizinhas de Beni
ONU News/Joon Park
Pelo menos 19 pessoas foram mortas nos últimos dias em aldeias vizinhas de Beni

ONU prepara plano de ação para combater violência a civis na RD Congo

Paz e segurança

Iniciativa é baseada em relatório escrito pelo general brasileiro Carlos Alberto dos Santos Cruz; mais de 260 civis, principalmente mulheres e crianças, foram mortos nos últimos dois meses do ano pelo grupo armado ADF.

O Departamento de Operações de Paz da ONU está desenvolvendo um Plano de Ação para combater ataques a civis na área de Béni, na província de Kivu Norte, na República Democrática do Congo.

A medida é baseada no relatório do general brasileiro Carlos Alberto dos Santos Cruz entregue à ONU esta semana.

General Santos Cruz durante uma missão de observação com observadores militares no Monte Munigi.
General Santos Cruz durante uma missão de observação com observadores militares no Monte Munigi, ONU/Sylvain Liechti

Objetivo

Em entrevista à ONU News, Santos Cruz afirmou que a avaliação “fala sobre as dificuldades para vencer as barbaridades” cometidas pelas Forças Democráticas Aliadas, ADF na sigla em inglês, um grupo armado que atua na região.

“Esse aí é um conflito que não tem o risco de escalada. O que ele tem o risco é da ADF cometer crimes bárbaros, como vem fazendo. Mais de 200 pessoas mortas em dois meses, com requintes de crueldade. Com inclusive crianças pequenas mortas com facões e machados. Uma coisa bárbara. Então, não é uma questão de escalada, é uma questão de contenção desse grupo que é uma mistura de fundamentalismo, com grupo armado e crime organizado também.”

Sugestões

A avaliação concluiu que a proteção de civis requer uma resposta abrangente, envolvendo todos os componentes da Missão da ONU, Monusco, da Equipe Nacional da ONU na RD Congo e outros parceiros.

A avaliação de Santos Cruz recomenda que todas as partes “coordenem suas ações para melhorar a mentalidade, as capacidades e a mobilidade da Brigada de Intervenção da Monusco.”

Segundo o estudo, essa cooperação reforçada “é essencial para sustentar os ganhos obtidos pelo exército congolês” durante a última ofensiva.

Além das operações militares, a avaliação recomenda uma estratégia abrangente entre o governo e a Monusco, no nível político.

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Avaliação  

O relatório foi encomendado em dezembro pelo subsecretário-geral da ONU para Operações de Paz, Jean-Pierre Lacroix.

A equipe de avaliação incluiu especialistas em política, forças armadas e logística. O documento também traz sugestões sobre os ataques contra os trabalhadores humanitários que integram a resposta ao ebola.

Os especialistas concluíram que, apenas nos meses de novembro e dezembro, mais de 260 civis, principalmente mulheres e crianças, foram mortos por combatentes da ADF em ataques brutais, principalmente à noite.

A avaliação concluiu ainda que o alto número de vítimas foi uma das causas principais das manifestações contra a Monusco, no Kivu Norte, incluindo a destruição e saque de um escritório da Missão, em Beni, em 25 de novembro.

Destaque ONU News Especial: Santos Cruz fala sobre Missão à República Democrática do Congo