Confrontos entre manifestantes e forças de segurança no Líbano preocupam ONU
BR

21 janeiro 2020

Mais de 460 pessoas ficaram feridas em confrontos no fim de semana em protestos por mudanças; Escritório do Alto Comissariado para os Direitos Humanos recebeu denúncias de abuso de força; organismo pede contenção de ambas as partes.

O Escritório do Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos está preocupado com confrontos violentos entre manifestantes e forças de segurança no Líbano.

Segundo o Escritório, mais de 460 pessoas incluindo policiais ficaram feridas durante as manifestações por mudanças.

Violência

A porta-voz do Escritório, Marta Hurtado, disse que “alguns manifestantes usaram violência para mostrar seu descontentamento.” Já as forças de segurança, “responderam, às vezes, com uso desnecessário ou desproporcional da força.”

No fim de semana, manifestantes na capital do país, Beirute, tentaram invadir o prédio do Parlamento e jogaram pedras, sinais de trânsito e outros objetos contra as Forças de Segurança Interna. Vários caixas eletrônicos, bancos e lojas foram vandalizados e propriedades públicas destruídas.

Os agentes responderam com gás lacrimogêneo, canhões de água e balas de borracha. O Escritório da ONU diz que recebeu vários relatos de violações do uso da força. Pelo menos quatro jovens foram baleados no olho e à queima-roupa com balas de borracha.

O Escritório Regional no Oriente Médio e Norte da África recebeu informação de que 45 pessoas tinham sido presas no fim de semana, mas a maioria já foi libertada. Alguns manifestantes disseram que foram espancados no momento da detenção e durante os interrogatórios.

Obrigações

O Escritório da ONU lembra que os policiais têm obrigação de cumprir normas internacionais sobre uso da força. O organismo destacou a declaração do comandante das Forças de Segurança Interna, que reconheceu no fim de semana a importância de agir com moderação ao confrontar manifestantes violentos e a necessidade de proteger jornalistas e manifestantes pacíficos.

Por outro lado, afirma que “as pessoas têm o direito de participar de assuntos públicos e moldar todas as decisões que afetam suas vidas”, mas “devem exercer esse direito de forma pacífica e sem usar violência.”

A porta-voz pediu “esforços para criar um diálogo significativo e inclusivo com todos os segmentos da sociedade”, incentivando “os atores políticos a responder às aspirações legítimas do povo e acelerar esforços para formar um governo estável.”

Por fim, pediu investigações “rápidas, completas, independentes, transparentes e imparciais sobre supostas violações de força.”

Segundo o Escritório da ONU, “as vítimas e suas famílias têm direito à justiça, verdade e compensações.”

 

 

 

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