OIT diz que desemprego pode atingir mais de 200 milhões de pessoas este ano
BR

20 janeiro 2020

Relatório da Organização Internacional do Trabalho revela que não estão sendo criados trabalhos suficientes para acompanhar o crescimento global da população; desemprego deverá aumentar em cerca de 2,5 milhões; desigualdade de renda é maior do que se estimava. 

Quase meio bilhão de pessoas estão trabalhando menos horas do que gostariam ou não têm acesso a trabalho remunerado. Os dados são do Panorama Mundial de Emprego e Sociedade, o relatório da Organização Internacional do Trabalho, OIT, divulgado nesta segunda-feira, em Genebra, na Suíça.

A pesquisa também informa que o desemprego deverá aumentar em cerca de 2,5 milhões em 2020 atingindo mais de 200 milhões de pessoas em idade produtiva.

Mulheres trabalhando em fábrica na Indonésia, OIT/Asrian Mirza

Desemprego

Os níveis globais de desemprego têm se mantido estáveis nos últimos nove anos, mas a desaceleração do crescimento econômico começa a mostrar efeitos. À medida que a força de trabalho cresce, os novos empregos não são suficientes para absorver todos.

A pesquisa também mostra que a diferença entre oferta e demanda vai além do desemprego, que no ano passado estava em 188 milhões.

Em 2019, 165 milhões de pessoas não trabalhavam tempo integral e outros 120 milhões tinham desistido de procurar emprego ou não tinham acesso ao mercado de trabalho.

No total, mais de 470 milhões de pessoas no globo gostariam de trabalhar mais.

Falando a jornalistas no lançamento do relatório, o diretor-geral da OIT, Guy Ryder, disse que “essa é a força de trabalho em potencial.” Segundo ele, o mundo tem “um grande problema de criação de oportunidades de trabalho decente” e que, por isso, “é cada vez mais difícil para milhões de pessoas construírem uma vida melhor trabalhando.”

Desigualdade

O chefe da OIT disse que “exclusão e desigualdades persistentes e significativas estão impedindo as pessoas de encontrar empregos decentes.” Segundo ele, “essa é uma conclusão extremamente preocupante, com implicações sérias para a coesão social.”

Usando novos dados e estimativas, o relatório também mostra que a desigualdade de renda é maior do que se pensava, especialmente nos países em desenvolvimento.

Mulheres continuam sendo mais afetadas por desemprego, UNIC Bogotá/Dagoberto Muñoz

A OIT estima que a pobreza moderada ou extrema entre pessoas que trabalham suba em 2020 e 2021 nos países em desenvolvimento.

Isso deve aumentar também os obstáculos para se alcançar o Objetivo de Desenvolvimento Sustentável número 1, de erradicar a pobreza até 2030.

A ONU define pobreza no trabalho como ganhando menos de US$ 3,20 por dia, um valor ajustado com base no preço da cesta básica. Essa situação afeta mais de 630 milhões de trabalhadores, ou 20% das pessoas em idade ativa.

Em todo o mundo, a parcela da renda nacional criada pela força de trabalho diminuiu substancialmente entre 2004 e 2017, caindo de 54% para 51%. A queda é mais pronunciada na Europa, Ásia Central e no Caribe. Américas.

Jovens e mulheres

Para o diretor-geral da OIT, “os jovens enfrentam desafios específicos do mercado de trabalho.”

Segundo a pesquisa, 22% dos jovens, 267 milhões, não estão empregados, estudando ou recebendo formação. Segundo ele, “este é um dos maiores dramas sociais do nosso tempo.”

Quanto às mulheres, em 2019 a participação na força de trabalho feminina foi de apenas 47%, ou seja, 27 pontos abaixo da taxa masculina. Para Ryder, “gênero é obviamente um grande aspecto de desigualdade.”

 

 

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