Em reunião do G-77, Guterres diz que maior desafio global é erradicar a pobreza
BR

15 janeiro 2020

Secretário-geral discursou na cerimônia de passagem da presidência palestina para a Guiana, na sede da ONU em Nova Iorque, e pediu apoio dos países-membros no combate à mudança climática, à reforma da ONU e ao orçamento da organização em 2020.

O chefe das Nações Unidas, António Guterres, afirmou que a pobreza é o maior desafio enfrentado pelo mundo atualmente.

Ele fez a declaração numa reunião com o G-77 durante a cerimônia de encerramento da presidência rotativa palestina para a Guiana, que deverá ocupar o cargo por um ano. O grupo reúne as nações em desenvolvimento e conta com mais de 150 países.

Segundo o Banco Mundial, o aumento do preço dos alimentos em 2019 teve graves consequências para os mais pobres, Foto ONU/Kibae Park

Três pilares

Guterres agradeceu ao G-77 pelo apoio recebido no processo de reforma da ONU, à Década de Ação para Realização dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, ODSs, e ao primeiro orçamento anual da organização, aprovado em dezembro.

A reforma é baseada em três pilares: gerenciamento, paz e segurança e desenvolvimento.

Para Guterres, as mudanças estão levando a mais cooperação dentro e através dos três pilares da ONU. Segundo ele, este ano as reformas passam à fase de implementação e resultados. O objetivo é deixar a organização mais ágil e eficiente.

Prioridades nacionais

O secretário-geral associou a reforma do sistema de desenvolvimento à agenda do G-77 de erradicar a pobreza, colocar o desenvolvimento sustentável no centro de todo o trabalho e assegurar políticas internacionais com prioridades nacionais.

Ao comentar a agenda da ONU, ele citou o Acordo de Paris sobre Mudança Climática e a Agenda de Addis Abeba de financiamento para o desenvolvimento. Segundo ele, os dois documentos mostram o caminho para combater desafios comuns e para se alcançar uma globalização justa.

O secretário-geral comentou o que chamou de “resultado decepcionante” da COP-25, a Convenção da ONU sobre Mudança Climática, realizada no mês passado em Madri, na Espanha.

Ele afirmou que a mudança que é preciso ocorrer para erradicação da pobreza, redução de emissões de CO2, criação de emprego e de igualdade de gênero não está ocorrendo no ritmo necessário para se cumprir a Agenda 2030.

Para Guterres, a Década de Ação para Realização dos ODSs é uma oportunidade para levar ao mundo a uma aceleração das ações.

A ONU busca incentivar formas de promover a solidariedade para o alcance dos ODSs, incluindo a erradicação da pobreza, Foto ONU/Manuel Elias

Financiamento

Ao mencionar a erradicação da pobreza, o chefe das Nações Unidas disse que a ONU também avançará na ação climática, na igualdade de gênero e na redução de desigualdades dentro e entre os países.

Para ele, esta agenda só será realizada quando todos os países desenvolvidos assumirem seus compromissos firmados em Addis Abeba, em 2015, sobre a assistência oficial ao desenvolvimento.

E segundo o chefe da ONU, a comunidade internacional também tem um papel a desempenhar no combate a fluxos ilícitos de capital, lavagem de dinheiro e evasão fiscal que continuam drenando os recursos do mundo em desenvolvimento.

75 anos

Este ano, a ONU deve celebrar seu 75º aniversário com um número de oportunidades para promover progresso em vários desafios.

Em 2020, o mundo marca também o 25º aniversário da Declaração de Pequim e da Plataforma para Ação. Guterres acredita que a reunião para marcar a data também pode ajudar a assegurar a igualdade de direitos para mulheres e meninas e gerar um novo momento nos compromissos assumidos em 1995.

Ainda este ano, a ONU deve organizar a COP26, em Glasgow, na Escócia. Ali, o secretário-geral espera um corte de emissões de gases que causam o efeito estufa em até 45% dos níveis de 2010 até 2030 para atingir zero em emissões até 2050.

Para ele, os Estados devem chegar a Glasgow, com planos mais ousados de corte de emissões, especialmente aqueles países considerados os maiores emissores.

António Guterres finalizou falando sobre a situação do orçamento da ONU ressaltando que os pagamentos em atraso aumentaram de US$ 529 milhões no fim de 2018 para US$ 711 milhões no fim do ano passado.

Ele pediu ao todos os países-membros que paguem suas contribuições em dia.

 

 

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