Agência da ONU para Refugiados recebe prêmio do Comitê Olímpico Internacional
BR

12 janeiro 2020

A distinção “Copa Olímpica” reconhece trabalho de apoio a refugiados e comunidades de acolhimento usando esporte e promovendo valores do movimento olímpico; distinção é entregue desde 1906; escolha da próxima delegação do Acnur para as Olimpíadas 2020 deve sair em junho.

A Agência das Nações Unidas para os Refugiados, Acnur, é a vencedora da Copa Olímpica em 2020, um prêmio do Comitê Olímpico Internacional, COI.

A distinção foi criada em 1906 pelo fundador do COI, Pierre de Coubertin. Desde então, o prêmio é concedido, anualmente, a uma organização que presta “serviços importantes ao esporte ou contribui com sucesso para a promoção da ideia olímpica”.

Presidente do COI, Thomas Bach, com alto comissário para os Refugiados, Filippo Grandi, COI/Christophe Moratal

Reconhecimento

Na entrega do prêmio, o alto comissário da ONU para Refugiados, Filippo Grandi, disse que dividia a homenagem com “colegas de todo o mundo que se esforçam para criar oportunidades para as pessoas deslocadas através do esporte, mesmo nas circunstâncias mais desafiadoras.”

Para Grandi, o esporte “apoia o bem-estar físico e mental, o trabalho em equipe, a amizade e o respeito, e promove a compreensão entre os deslocados à força e aqueles que os acolhem.”

Já o presidente do COI, Thomas Bach, disse que o Acnur “tem sido um forte defensor dos valores olímpicos.” Segundo ele, o compromisso do movimento deve-se à “crença fundamental no poder do esporte para tornar o mundo um lugar melhor.”

Bach contou que “para crianças e jovens deslocados pela guerra ou perseguição, o esporte é muito mais que uma atividade de lazer, é uma oportunidade de ser incluído e protegido.”

Participação

Em 2016, uma equipe de 10 atletas refugiados participou dos Jogos Olímpicos no Rio de Janeiro. No mesmo ano, outros dois refugiados competiram nos Jogos Paraolímpicos.

Em 2020, uma segunda equipe olímpica de refugiados irá participar das Olimpíadas de Tóquio. Segundo o COI, a iniciativa “transmite uma mensagem de solidariedade e esperança a milhões de refugiados em todo o mundo.”

Nesse momento, 50 atletas de 20 países, representando 11 esportes, disputam uma vaga. Refugiados vivendo no Brasil e em Portugal também treinam para participar da equipe.

As modalidades incluem atletismo, badminton, boxe, ciclismo, judô, karatê, carabina, natação, tae-kwon-do, levantamento de peso e luta livre. Os escolhidos serão anunciado em junho.

O judoca congolês, Popole Misenga, na Rio 2016, Acnur/Benjamin Loyseau

Rio de Janeiro

Yiech Pur Biel, um refugiado sul-sudanês que competiu nos 800 metros no Rio e que está na corrida desse ano, disse que recebeu um apoio “incrível” do Acnur e do COI.

Ele “adoraria ver todos os refugiados terem a chance de fazer diferentes tipos de esporte, não importa onde estejam no mundo.”

A síria Yusra Mardini, que também competiu no Brasil como nadadora, disse que o esporte salvou a sua vida e que, por isso, “todos deveriam ter a chance de participar de alguma forma.”

Duas irmãs

Em 2015, a jovem síria tentava chegar à Europa quando o seu barco parou de funcionar no Mar Egeu. Ela e suas duas irmãs empurraram depois a embarcação por mais de três horas, até chegar à ilha de Lesbos, na Grécia.

Agora, como embaixadora da Boa Vontade do Acnur, ela diz que “o trabalho do Acnur e do COI não tem preço.”

As duas organizações têm uma parceria há mais de 25 anos. Desde que assinaram um Acordo de Cooperação em 1994, trabalharam juntas em mais de 50 países.

Em 2017, o COI lançou a Fundação Olímpica para Refugiados, que visa criar instalações e programas esportivos seguros e acessíveis para estas populações.

 

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