Banco Mundial: economia global crescerá 2,5% em retomada modesta este ano
BR

9 janeiro 2020

Brasil e Angola aparecem na previsão global com perspectivas de crescimento de 2% e 1,5%, respectivamente; documento cita “confiança mais forte dos investidores, mudanças das condições de empréstimos e legislações trabalhistas mais flexíveis” como ambiente propício ao crescimento.

O crescimento econômico mundial deve ser de 2,5% este ano, segundo o Banco Mundial.

O órgão afirma que o comércio e o investimento devem começar a se recuperar em relação à fragilidade significativa de 2019, mas riscos negativos ainda persistem.

Previsão para economia angolana é de 1,5%. Reformas em andamento criem maior estabilidade macroeconômica, ONU

Lusófonos

Os dados fazem parte do documento Perspectivas Econômicas Globais, divulgado nesta quarta-feira.

Na América Latina e Caribe, o crescimento deve ser de 1,8% com o fortalecimento das economias e o aumento da demanda interna. Quanto ao Brasil, a confiança mais forte dos investidores, mudanças nas condições de empréstimos e legislações trabalhistas mais flexíveis deverão puxar o crescimento de 2%.

Já a África deve experimentar taxas de crescimento de 2,9%. Mas a previsão para a economia angolana é de 1,5% pressupondo-se que as “reformas em andamento criem maior estabilidade macroeconômica, melhorem o ambiente de negócios e impulsionem o investimento privado”.

A economia dos Estados Unidos deve desacelerar para 1,8%, refletindo o impacto negativo de tarifas e níveis de incerteza. Já na Zona do Euro, uma fraca atividade industrial impede a economia de sair do patamar de 1% em 2020.

Diferenças   

No geral, as economias mais avançadas não passarão de 1,4%, em parte devido à debilidade no setor manufatureiro. Já as economias emergentes e em desenvolvimento devem ter um crescimento bem superior ao global chegando a 4,1%.

Nos países em desenvolvimento, um terço dessas economias vão desacelerar devido à falta de exportações e investimentos.

Em nota, a vice-presidente do Banco Mundial para Crescimento Equitativo, Finanças e Instituição, Ceyla Pazarbasioglu, disse que os responsáveis pelas políticas públicas “devem aproveitar a oportunidade para fazer reformas estruturais que promovam o crescimento abrangente, que é essencial para a redução da pobreza.”

Menos instabilidade no comércio mundial deverá melhorar perspetivas econômicas, Divulgação / Prefeitura de Santos

Segundo o Banco Mundial, mesmo que as economias emergentes e em desenvolvimento se recuperem, o crescimento per capita deverá permanecer bem abaixo dos níveis necessários para alcançar as metas de redução da pobreza.

Dívida

Um dos grandes temas da pesquisa é a dívida dos Estados. O Banco Mundial mostra que o mundo vive a quarta onda de acumulação de dívida dos últimos 50 anos. Embora os níveis baixos dos juros atenuem alguns dos riscos, as ondas anteriores terminaram em crises financeiras generalizadas.

Para diminuir esse risco, o Banco diz que os países devem aumentar sua resiliência monetária e estruturas fiscais, criar regimes regulatórios e seguir práticas transparentes de gestão da dívida. 

Sobre esse tema, o diretor do grupo de previsões do Banco Mundial, Ayhan Kose, disse que taxas de juros baixas são uma proteção fraca contra crises financeiras. Segundo ele, “a história de ondas anteriores de acumulação de dívida mostra que essas ondas costumam ter finais infelizes.”

Produtividade

Mais do que em qualquer outro momento nos últimos 40 anos, o crescimento da produtividade desacelerou desde a crise financeira mundial em 2008. Segundo o Banco Mundial, isso é causado por falta de investimento e ganhos fracos de eficiência.

A pesquisa também destaca a prática de controle de preços, que é generalizada nas economias de mercados emergentes e em desenvolvimento. O Banco afirma que isso pode inibir o investimento e o crescimento, aumentar níveis de pobreza e complicar a política financeira. A organização sugere que os Estados usem, por outro lado, “redes de proteção social maiores e mais bem direcionadas.”

O Banco Mundial também aborda o controle da inflação. O indicador caiu de 25% em 1994 para cerca de 3% em 2019, mas devem ser precisos mais esforços para manter essa situação, como reforço de políticas monetárias e poder dos bancos centrais. 

 

 

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