Ocha: Brasil entre países com maior número de pessoas expostas a inundações
BR

6 janeiro 2020

Cerca de 70 desastres prejudicaram 70 milhões em território brasileiro entre 2000 e 2019; em termos proporcionais, Guiana é o país com maior proporção da população afetada por desastres na América Latina e no Caribe.

O Brasil aparece entre os 15 países do globo com a maior população exposta ao risco de inundação de rios. A informação é de um relatório da ONU documentando catástrofes naturais das últimas duas décadas na América Latina e Caribe.

No estudo Desastres Naturais na América Latina e Caribe, o Escritório da ONU para os Assuntos Humanitários, Ocha, aponta as inundações como o tipo de desastre mais comum na região desde o ano 2000.

América Latina e o Caribe têm a maior propensão global a ter eventos extremos incluindo cheias, tempestades, terremotos, secas, deslizamentos de terra, erupções vulcânicas e incêndios. Foto: Agência Brasil/Fernando Frazão

Inundações

A América Latina e o Caribe tiveram prejuízos de US$ 1 bilhão causados por danos em 12 enchentes ocorridas entre 2000 e 2019.

Com 152 milhões de afetados em 1.205 catástrofes, a região tem a maior propensão global a ter eventos extremos incluindo cheias, tempestades, terremotos, secas, deslizamentos de terra, erupções vulcânicas e incêndios.

O Brasil sofreu o impacto de 70  desastres que afetaram quase 70 milhões de pessoas.

Mas em termos proporcionais, a Guiana é a nação com maior risco de ser afetada. Mais de um terço dos seus 747 mil habitantes em situação de vulnerabilidade precisam de ajuda internacional. Com cinco eventos ocorridos no período analisado, o maior está na quantidade de pessoas em perigo com a vulnerabilidade, a falta de preparação e a deficiente capacidade de resposta local.

O relatório Desastres Naturais na América Latina e Caribe destaca que 0,9% dos 190,7 milhões de habitantes do Brasil correram o risco de ser afetados por cheias. São cerca de 1,8 milhão de pessoas que, no entanto, não precisaram de ajuda internacional.

Foto ONU/Mark Garten
Vista da destruíção nas Bahamas causada pela passagem do pelo furacão Dorian.

Furacões

Nas duas décadas analisadas, a América Latina e Caribe teve uma média de 17 furacões por ano. No total, aconteceram 23 furacões da categoria cinco, os que têm maior intensidade.

O documento destaca ainda o impacto da temporada de furacões de 2017. Foi a terceira pior já registrada no mundo e o destaque vai para fatores como quantidade de desastres, países afetados e magnitude dos danos.

No ano passado,  furacão Dorian, que atingiu o noroeste das Bahamas, foi o mais forte ocorrido no Oceano Atlântico. O desastre afetou de forma direta a massa terrestre.

Somente na América do Sul se registrou um quarto dos terremotos de magnitude 8 na Escala Richter ou superior do mundo desde o ano 2000. Foram 20 terremotos de magnitude  7 ou maior, ocorridos na região.

Minujusth/Leonora Baumann
O terremoto de 2010 no Haiti está entre os 10 mais mortais da história global.

Haiti

O terremoto de 2010 no Haiti está entre os 10 mais mortais da história global.

A publicação destaca ainda a seca como o desastre que afeta o maior número de pessoas na região.

Um dos principais danos causados pelo fenômeno na região foi a redução da produção agrícola. Os campos deixaram de produzir entre metade e 75% do habitual em áreas como centro e leste da Guatemala, sul de Honduras, leste de El Salvador e partes da Nicarágua.

Nessa região, também conhecida como Corredor Seco, 80% das famílias mais afetadas pela seca recorrem a várias formas para enfrentar crises em suas comunidades.

 

 

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