Negócio com borboletas sustenta centenas de famílias em floresta que vai do Quênia a Moçambique
BR

2 janeiro 2020

Por ano, atividade gera o dobro do investimento inicial de US$ 50 mil; exemplo de sustentabilidade para combater pobreza beneficia comunidades quenianas há mais de 16 anos; biodiversidade inclui mais de 600 espécies de flora e 480 de fauna; área inclui 8 mil hectares de manguezais.

Pelo menos 870 quenianos vivem da venda de borboletas recolhidas em uma área de floresta tropical que já formou uma extensa faixa verde entre Somália e Moçambique.

Atualmente, a atividade na Floresta Arabuko Sokoke, no Quênia, gera US$ 100 mil por ano, o dobro do investimento inicial aplicado pelo Fundo Global para o Meio Ambiente, GEF, e o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento, Pnud, em 2003.

O cultivo de borboletas foi introduzido em Arabuko Sokoke em 1993 como um projeto da comunidade local para gerar renda diretamente para a comunidade a partir da floresta. Foto: ONU-REDD

Biodiversidade

De acordo com o Programa da ONU para o Meio Ambiente, ONU Meio Ambiente, mais de 230 espécies de borboletas povoam os 42 mil hectares de Arabuko Sokoke.  A área situada ao longo da costa queniana tem uma biodiversidade que inclui mais de 600 espécies de flora e 480 espécies de aves e mamíferos.

O assistente de conservação de ecossistemas do Serviço Florestal do Quênia, Elvis Katana  Fondo, disse que além da riqueza dos ecossistemas terrestre e marinho há 8 mil hectares de manguezais na região. Essas características contribuem para que o local esteja na Lista do Patrimônio da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a, Unesco.  

O projeto da Casa de Borboletas de Kipepeo começou em 2003. Desde então, as famílias locais usam o que ganham do comércio internacional de borboletas para pagar despesas escolares, particulares e até equipam escolas com carteiras.

Subsistência

De acordo com a ONU Meio Ambiente, a tendência do negócio dos insetos é crescer, mesmo havendo concorrência de países como Costa Rica, Nepal e Filipinas.

A especialista do Centro Mundial de Monitoramento da Conservação da agência, Judith Walcott, disse que o combate à pobreza deve ser acompanhado de estratégias para melhorar a saúde, a educação e incentivar o crescimento econômico de forma ambientalmente sustentável.

Para a também integrante do Programa de Redução de Emissões e Degradação Florestal, ONU-Redd, apoiando comunidades com meios alternativos de subsistência não apenas reduz a pobreza, mas também conserva as florestas e reforça o combate à mudança climática.

 

 

 

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