ONU Mulheres põe Marta Vieira da Silva entre suas 15 personalidades em 2019
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23 dezembro 2019

Lista inclui ainda astronautas, ativistas, cientistas e políticas; agência da ONU espera que 2020 seja ainda melhor para as mulheres em termos de espaço e poder; vários países e organizações foram elogiados por medidas de defesa dos direitos da mulheres e de comunidades Lgbtq entre eles o Brasil.

A ONU Mulheres preparou uma lista com 15 personalidades, organizações e países, que mais se destacaram em 2019 pelos direitos das mulheres. A única pessoa de língua portuguesa na relação é a jogadora Marta Vieira da Silva, do Brasil.

Ela aparece em sétimo lugar, atrás da cientista americana Katie Bouman, que conseguiu capturar a primeira imagem do buraco negro, e uma posição antes da ginasta e campeã olímpica Simone Biles, que conquistou a oitava posição da relação.

Primeira Viagem

A lista é encabeçada pelas astronautas da Nasa, a Agência Espacial Americana, Jessica Meir e Christina Koch, que protagonizaram em outubro a primeira viagem ao espaço feita somente por mulheres.

Em segunda posição, aparece uma equipe inteira de atletas mulheres, a dos Estados Unidos, que venceu, em julho, a Copa Mundial de Futebol Feminino. Elas advogaram por salários iguais para homens e mulheres que desempenham a mesma função nos gramados. E algumas chegaram a entrar na justiça para conquistarem o direito.

A agência da ONU acredita que 2020 trará ainda mais espaço para as mulheres delegando a elas também poder de decisão. O próximo ano marcará o 25º aniversário da Plataforma para Ação de Pequim, até agora considerada a maior agenda global sobre os direitos das mulheres. O documento foi adotado por 189 países em 1995.

Greta

O terceiro destaque feminino da lista vai para a adolescente e ativista ambiental, de 16 anos, Greta Thunberg. Em menos de um ano, ela conseguiu criar um movimento global para ação climática. O protesto, que começou solitário, todas as sextas em sua escola na Suécia, ganhou as ruas do mundo e foi parar na Assembleia Geral das Nações Unidas, onde Greta desafiou líderes internacionais a fazerem mais do que as palavras para salvar o planeta das mudanças climáticas.

A lista também inclui Esther Duflo, a segunda mais jovem ganhadora do mundo do Prêmio Nobel de Economia, e uma campanha britânica de um emoji para quebrar estigmas e preconceitos relacionados à menstruação, melhorando a comunicação sobre o tema entre meninas e mulheres.

A cientista americana, Katie Bouman, entrou na relação com a primeira imagem do buraco negro, apresentada em abril. E a brasileira Marta Vieira da Silva, embaixadora da Boa Vontade da ONU Mulheres, conquistou o destaque graças a seu gol de número 17 na Copa do Mundo de futebol. Com isso, a jogadora brasileira, eleita algumas vezes, a melhor do mundo pela Fifa, tornou-se artilheira número 1 da Copa do Mundo de Futebol masculina e feminina.

Canal da Mancha

Outra atleta na lista da ONU Mulheres é a americana Simones Biles, 22 anos.  Ela é a ginasta mais condecorada da História com 25 medalhas mundiais. Somente no Campeonato da Alemanha, ela levou cinco medalhas de ouro. A primeira mulher a cruzar o Canal da Mancha quatro vezes, sem uma única parada, Sarah Thomas também foi incluída na relação da agência da ONU pelo recorde.

A ativista Alaa Salah, do Sudão, no Conselho de Segurança. Foto: ONU/Evan Schneider

A ONU Mulheres incluiu ainda momentos importantes para os direitos das mulheres como a decisão da Espanha de aumentar o tempo de prisão de homens que participaram de um estupro coletivo. Já na Índia, a aeronáutica celebrou a chegada da primeira mulher-piloto do país, a subtenente Shivangi, 24 anos.

Em abril, Alaa Salah ganhou as manchetes de todo o mundo quando subiu num carro de som em protestos contra o regime do então presidente do Sudão Omar al-Bashir. Seis meses depois, ela discursou no Conselho de Segurança pedindo maior participação das mulheres à mesa de decisões políticas e em momentos de transição também.

Primeira-Ministra

Três países: Egito, Indonésia e Tanzânia também entraram na lista da ONU Mulheres por proibirem casamento infantil com leis que protegem as meninas e promovem seu futuro e sua educação.

E a Finlândia celebrou a chegada da primeira-ministra mais jovem do mundo, Sanna Marin, 34 anos. A nova chefe do governo também escolheu um gabinete com mais mulheres que homens.

A Organização Internacional do Trabalho entrou para a relação da ONU Mulheres após novos padrões para combater violência e assédio moral no trabalho, adotados na 108ª. Conferência Internacional do Trabalho, em junho.

Ex-chefe do Fundo Monetário Internacional, Christine Lagarde. , by Foto: ONU/Amanda Voisard

Brasil e Equador

Os direitos das comunidadee Lgbtq foram ressaltados na lista para promoção da igualdade. Brasil, Botsuana e Equador por reformas legislativas para proteger os direitos dessas pessoas em 2019. Botsuana descriminalizou a homossexualidade. Em junho, o Supremo Tribunal Federal decidiu que atos de discriminação e ódio a pessoas da comunidade Lgbtq são crimes punidos com sentenças de até cinco anos de prisão. No caso do Equador, o Supremo Tribunal legalizou casamento entre pessoas do mesmo sexo.

A ONU Mulheres destaca ainda a presença de líderes femininas na União Europeia como a ex-chefe  do Fundo Monetário Internacional, FMI,  Christine Lagarde, e a alemã Ursula von der Leyen. Lagarde para chefiar o Banco Central Europeu e von der Leyen, a Comissão Europeia após quase seis décadas de comando masculino na instituição.
 

 

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