Chefe da ONU diz que comunidade internacional deve fazer “muito mais para assumir a responsabilidade” pelos refugiados
BR

17 dezembro 2019

No primeiro Fórum Global de Refugiados, António Guterres destacou que são necessárias "promessas ousadas e concretas" para garantir apoio mais equitativo aos refugiados; mundo vive momento de deslocamento recorde.

Em seu discurso na sessão de abertura do primeiro Fórum Global de Refugiados, o secretário-geral da ONU disse que a comunidade internacional deve fazer muito mais para compartilhar a responsabilidade por milhões de refugiados em todo o mundo.

António Guterres afirmou que "a gratidão não é suficiente neste momento de turbulência” e que são necessárias promessas "ousadas e concretas".

Repostas

O Fórum, que acontece em Genebra, na Suíça, é coorganizado pela Agência da ONU para Refugiados. O objetivo da reunião é transformar a resposta à situação dos refugiados num momento de deslocamento recorde.

Para o chefe da ONU, mais do que nunca o mundo precisa de “cooperação internacional e respostas práticas e eficazes.” Para ele, são necessárias “melhores respostas para quem foge e uma ajuda melhor para as comunidades e os países que os hospedam."

Atualmente, de acordo com a Agência das Nações Unidas para Refugiados, Acnur, 70,8 milhões de pessoas são deslocadas à força em todo o mundo, incluindo 25,9 milhões de refugiados. Mais de metade deles são crianças.

Ambição

Guterres, que também atuou como alto comissário da ONU para refugiados de 2005 a 2015, disse que "este é um momento de ambição, é um momento para abandonar um modelo de apoio que muitas vezes deixou refugiados por décadas com suas vidas em espera".

Para o atual chefe do Acnur, Filippo Grandi, a pobreza, a desigualdade e a crise climática estão acelerando os conflitos e os deslocamentos, enquanto "crises de longa data parecem cada vez mais intratáveis".

Para Grandi, uma abordagem fragmentada e desequilibrada da questão dos refugiados significa que os países com mais recursos atribuem responsabilidade aos países em desenvolvimento que são "menos capazes de lidar" com o problema.

Ele defende que é necessária “uma visão abrangente, para inspirar e envolver pessoas e instituições em toda a sociedade, uma ampla aliança de governos, comunidade de ajuda, empresas, instituições de desenvolvimento, sociedade civil, grupos religiosos, academia, esportes e artes e os próprios refugiados”.  

Pacto

O alto comissário acrescentou que a Pacto Global sobre Refugiados, aprovado pela Assembleia Geral da ONU há um ano, abre caminho para que todos assumam responsabilidades e desempenhem um papel. Grandi acredita que durante o Fórum seja possível "antecipar uma vasta gama de promessas e iniciativas inovadoras que ajudarão a transformar a resposta às crises de refugiados".

Geneva acolhe primeiro Fórum Global de Refugiados. Foto: Acnur/Mark Henley

Segundo o Acnur, o Fórum está reunindo 3 mil pessoas, incluindo refugiados, chefes de Estado e de governo, líderes da ONU, instituições internacionais, organizações de desenvolvimento, líderes empresariais e representantes da sociedade civil.

Até sexta-feira, dia de encerramento do Fórum, serão realizados eventos especiais e diálogos de alto nível que se concentrarão em seis áreas principais. Elas incluem compartilhamento de responsabilidades, educação, empregos e meios de subsistência, energia e infraestrutura, soluções e capacidade de proteção.

Nesta segunda-feira, no primeiro dia do evento, o setor privado fez uma promessa de US$ 250 milhões em assistência aos refugiados. Ao todo, 30 organizações se comprometeram com investimentos em projetos que envolvem educação, treinamento, empregos, serviços jurídicos e assistência financeira.

 

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