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Descarbonização de energia e transportes na América Latina poderia economizar US$ 621 bilhões até 2050 BR

Vista aérea da cidade de São Paulo, Brasil, mostrando uma densa paisagem urbana com inúmeros edifícios altos e uma rodovia movimentada.
Diogo Moreira/Governo de Sao Paulo Brasil está entre os países e regiões campeões de emissões de gases que causam o efeito estufa

Descarbonização de energia e transportes na América Latina poderia economizar US$ 621 bilhões até 2050

Clima e Meio Ambiente

Prévia do relatório Zero Carbono na América Latina e o Caribe 2019 foi apresentada durante a COP 25 em Madri; Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas encerra nesta sexta-feira em Madri, na Espanha.

A América Latina e o Caribe poderão obter uma economia anual de US$621 bilhões até 2050 se os setores de energia e transporte da região atingirem emissões líquidas zero.

A conclusão faz parte da prévia de um novo estudo do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente, Pnuma, divulgado na Conferência sobre Mudança Climática da ONU, COP 25. O evento, que acontece em Madri, na Espanha, termina nesta sexta-feira, dia 13 de dezembro.

Uma mina de carvão em Samaca, Colômbia, com fumaça saindo do local, cercada por uma floresta.
Minas de carvão na Colômbia. Foto: Banco Mundial

Emissões

Os dados do Relatório Zero Carbono para a América Latina e o Caribe 2019, destacam as oportunidades, custos e benefícios da descarbonização na geração de energia e no setor de transporte juntos.  Ambos respondem por dois terços das emissões fósseis de CO2 da região e cerca de 25% de suas emissões de gases de efeito estufa.

O Pnuma alerta que se espera um aumento duplo dessas emissões em meados deste século, se as políticas atuais continuarem inalteradas.

Acordo de Paris

Sob as políticas e condições atuais, a expectativa é de que as emissões do setor de energia aumentem 140%, considerando que a demanda regional de eletricidade deve quase triplicar até 2050. Segundo o relatório, atender a esses novos requisitos num modelo de geração baseado em combustíveis fósseis colocaria a região mais distante do caminho em direção às metas do Acordo de Paris.

A conversão para um sistema totalmente renovável seria a opção de menor custo para eletrificar a região e alcançar os objetivos estabelecidos. Uma matriz renovável exigirá investimentos cumulativos de US$ 800 bilhões até 2050, menos que os US$ 1.083 bilhões necessários para atender à demanda projetada de energia num cenário comercial como de costume.

Vista aérea do Porto de Salvador, na Baía de Todos os Santos, Bahia, Brasil, mostrando um navio cargueiro no terminal de contêineres e a cidade ao redor.
Banco Mundial/Mariana Ceratti A conversão para um sistema totalmente renovável seria a opção de menor custo para eletrificar a região.

Economia

O relatório mostra que, ao descarbonizar a matriz energética e fornecer eletricidade a um sistema completo de transporte com zero emissões, incluindo transporte marítimo e terrestre, a região em 2050 poderia reduzir o equivalente a 1,1 bilhão de toneladas de CO2.

As economias incluem US$ 300 bilhões em despesas evitadas no transporte terrestre de passageiros e reduções de US$ 222 bilhões nos custos de eletricidade. Somente em custos com saúde US$ 30 bilhões poderiam ser economizados graças ao efeito positivo da mobilidade elétrica na qualidade do ar urbano.

O Pnuma afirma que a transição para a descarbonização total nesses setores específicos trará benefícios adicionais, como 7,7 milhões de novos empregos permanentes e 28 milhões de anos de trabalho em tarefas temporárias relacionadas a tecnologias verdes, implantação de infraestrutura ou eletrificação de transportes.

Oportunidades

O diretor regional da agência na América Latina e no Caribe, Leo Heileman, destacou que “os setores de energia e transporte apresentam oportunidades para ações rápidas e de longo alcance, ambientalmente saudáveis ​​e financeiramente atraentes.” Ele acrescentou que “uma transição acoplada não visa apenas atingir zero emissões até 2050, mas contribuir para o crescimento econômico e a melhoria da saúde pública.”

O relatório indica que desde 2012, a capacidade de energias renováveis ​​não convencionais dobrou sua participação na matriz regional e, junto com a energia hidrelétrica, representou quase 54% em 2018. Além disso, os esforços de vários países para fornecer um ambiente propício para a transição energética garantiram mais de US$ 35 bilhões em investimentos em energias renováveis ​​não convencionais durante os últimos 5 anos.

Apesar desse progresso, os autores do estudo dizem que é preciso uma agenda política mais ousada para acelerar as mudanças necessárias para cumprir a descarbonização até meados do século.