Protestos no Iraque já mataram 400 pessoas e deixaram mais de 19 mil feridas 
BR

3 dezembro 2019

Manifestações começaram em início de outubro; representante especial do secretário-geral para Iraque falou ao Conselho de Segurança; presidente deve nomear novo primeiro-ministro em 15 dias.  

A representante especial do secretário-geral para o Iraque, Jeanine Hennis-Plasschaert, informou esta quarta-feira ao Conselho de Segurança sobre as consequências dos protestos de rua que começaram na primeira semana de outubro.  

Segundo ela, já morreram mais de 400 pessoas e mais de 19 mil ficaram feridas. A representante pediu que os responsáveis sejam identificados e julgados.  

Motivos  

Hennis-Plasschaert afirmou que os manifestantes estão “mostrando amor pelo seu país e identidade iraquiana”, mas “pagando um preço demasiado alto.” 

Os protestos têm sido liderados por jovens que “expressam frustração com más perspectivas econômicas, sociais e políticas.” Os manifestantes também criticam corrupção, interesses partidários, e interferências estrangeiras. 

Hennis-Plasschaert disse que os manifestantes querem eleições livres, justas e credíveis, fim da corrupção generalizada e mais emprego e crescimento. 

Futuro 

Na semana passada, ela visitou um hospital em Bagdá, onde encontrou um jovem de 16 anos que ficou ferido durante os protestos. A mãe do menino contou que “a falta de perspectivas deixa os adolescentes desesperados.” 

Hennis-Plasschaert disse que “esses jovens não se lembram de como a vida era horrível para muitos iraquianos na época de Saddam Hussein.” Apesar disso, “estão muito conscientes da vida que foi prometida após Saddam Hussein.” 

Destacando o impacto da internet, ela afirmou que os manifestantes “sabem perfeitamente que um futuro melhor é possível.”  

Segundo ela, “qualquer nação de sucesso precisa abraçar o potencial de seus jovens”, mas isso “é ainda mais importante no Iraque, que tem uma população muito jovem.” 

Resposta  

Sobre a resposta aos protestos, Hennis-Plasschaert afirmou que “os eventos saíram de controle logo na primeira noite” e que “as autoridades imediatamente usaram força excessiva.” 

Segundo ela, a investigação do governo está incompleta e ainda falta resposta para várias questões, como quem está atacando os meios de comunicação, raptando ativistas ou atirando sobre manifestantes. 

Desde outubro, as regras de atuação das forças de segurança foram alteradas, mas “a realidade é que o uso de munição real continua, dispositivos não-letais continuam sendo usados ​de forma ​indevida e prisões e detenções ilegais continuam ocorrendo.” 

Nas últimas semanas, o governo anunciou várias reformas nas áreas da habitação, desemprego, apoio financeiro e educação, mas a representante disse que são “vistos como irreais ou muito pouco e muito tarde." 

Situação política 

A representante especial também atualizou os países-membros sobre a situação política. 

O Parlamento aceitou a renúncia do primeiro-ministro, Adel Abdel Mahdi, no domingo, 1º de dezembro. Esta terça-feira, o Parlamento pediu ao presidente, Barham Salih, que nomeie um novo primeiro-ministro dentro de 15 dias. Depois de ser conhecido o nome do novo chefe de governo, ele terá 30 dias para formar um governo. 

Hennis-Plasschaert afirmou, no entanto, que os líderes políticos precisam “promover soluções reais, em vez de abandonar um primeiro-ministro com pouco ou nenhum apoio.” 

Segundo ela, “um governo não pode fazer sozinho” todo o trabalho necessário, que “é uma responsabilidade coletiva de toda a classe política.” 

Outras ameaças 

Os protestos dominam a agenda nacional, mas a representante diz que não se pode esquecer a luta contra o Estado Islâmico do Iraque e do Levante, Isil.  

Ela disse que, enquanto os líderes discutem, “um novo desastre está a caminho.” Segundo ela, a situação de deslocados internos e refugiados em assentamentos como al-Hawl não é sustentável e deixa evidente “uma falta chocante de pensamento internacional de longo prazo.” 

Para terminar, a representante lembrou um encontro com o Grande Aiatolá Ali al-Sistani. Segundo o líder político, "a situação não pode continuar como estava antes das manifestações." 

A esse respeito, Hennis-Plasschaert afirmou que “novas e grandes oportunidades podem surgir a partir de uma crise.” Segundo ela, “o Iraque não é uma causa perdida” e “tem um imenso potencial.” 

 

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