Capacitação em Moçambique destaca urgência de advocacia sobre a pessoa com albinismo

29 novembro 2019

Participantes são de países lusófonos africanos; evento quer encontrar respostas para desafios como estigma, discriminação e superstição.

Criar condições de proteção das pessoas com albinismo é um dos temas centrais dos direitos humanos. Em Maputo, especialistas, académicos e sociedade civil debatem o tema até esta sexta-feira.

Uma das metas do evento é combater a má-perceção sobre esta condição nos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa. A reunião é realizada pela representação em Moçambique da Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura, Unesco.

Soluções

Participantes da Conferência organizada pela Unesco. Entre 20 mil e 30 mil pessoas vivem com albinismo em Moçambique, Ouri Pota

O encontro realizado em parceria com governo moçambicano debate e partilha experiências para que sejam encontradas soluções para desafios que enfrentam as pessoas com albinismo.

A ONU News em Maputo ouviu alguns participantes no evento. A jurista Denardina Amisse é da provincia de Nampula, norte de Moçambique.  Ela contou que exclusão durante a infância impulsionou a luta pelos direitos das pessoas com albinismo.

Albinismo

“Acreditamos que colhendo experiências com países como Angola e Guiné-Bissau, iremos desenvolver mais as nossas capacidades cognitivas a fim de responder as demandas ofertadas pela sociedade. Acredito que poderei contribuir bastante no que diz respeito à proteção dos direitos da pessoa com albinismo."

Já Flávia Pinto, disse que, mesmo não vivendo com com albinismo, veio à  conferência para partilhar a experiência que lhe levou a ser ativista em prol das pessoas com esta condição.“O meu pai faleceu em julho de 2015 e nós  o enterramos no cemitério municipal da cidade de Tete. Uma semana antes de fazer um ano, foram indivíduos ate então desconhecidos, vandalizaram a campa do meu pai e removeram o caixão,  umas partes do corpo do meu pai. De acordo com o legista em Tete, eles constataram que os indivíduos retiraram parte dos braços e dos pés.”

O albinismo é uma condição genética, rara e não contagiosa por deficiência dos pigmentos nos cabelos, na pele e nos olhos.

Pessoas com albinismo são vulneráveis a sofrer cancro da pele ou ser vítimas de estigma social. O representante da Associação Amor a Vida, Hugo Firmino, menciona  maiores preocupações constatadas na sua província.

Passado

“Especificamente dos protetores solares, que são a grande dificuldade das pessoas com albinismo, mas também a questão da aquisição dos óculos de vista, mesmo por causa dos preços. Mas há também um aspeto que devemos ter em conta: a educação sobre a questão do albinismo, porque o que se está a viver agora é fruto da má educação que tivemos no passado em que as pessoas pouco ou quase nada sabiam em relação ao albinismo.”A questão do albinismo levanta preconceitos sociais e superstição expondo a pessoas com essa condição a vários níveis de estigma.

Para minimizar estes fatores, a representante da Associação Zé Manuel Pinto, Flávia Pinto, disse que o grupo advoga a  questão da educação.

“Se você da uma educação a qualquer criança, particularmente uma criança com albinismo que são pessoas particularmente muito inteligente, eles podem pegar essa informação e revolucionar. Com tudo o que está acontecer aqui hoje, as conferências, a partilha de informação, todos podemos revolucionar esta causa em que todos lutamos por ela”

Estigma

Dados do relatório independente sobre exercício dos direitos humanos pelas pessoas com albinismo em Moçambique aponta a existência de estima no país onde cerca de 30 mil pessoas com albinismo.

A conferência e capacitação sobre Albinismo nos Palop encerra sexta-feira em Maputo.

O evento é apoiado pela relatora independente sobre os direitos das pessoas com albinismo, a Fundação Ford,  o Fundo das Nações Unidas para a População, Unfpa,  e o Alto Comissariado da ONU para os Direitos Dumanos.

De Maputo para ONU News, Ouri Pota.

 

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