Chefe humanitário visita Sudão e diz que crise afeta mais meninas e mulheres
BR

25 novembro 2019

Mark Lowcock concluiu visita de dois dias ao país no domingo; ele se encontrou com pessoas afetadas por desastres naturais, doenças e crises econômicas; mais de 8,5 milhões de sudaneses precisam de assistência para sobreviver.

A situação humanitária no Sudão está piorando, segundo o subsecretário-geral das Nações Unidas para os Assuntos Humanitários, Mark Lowcock. No domingo, ele terminou uma visita ao país afetado por uma grave crise econômica, desastres naturais e vários surtos de doença.

De acordo com o Ocha, apesar da continuidade do conflito no Sudão, os incidentes violentos diminuíram nos últimos anos. Foto: Ocha/Saviano Abreu

O centro e o leste do país são as áreas que mais sofrem, de acordo com Lowcock, que também lidera o Escritório da ONU de Assistência Humanitária, Ocha.

Apoio Humanitário

Lowcock pediu à comunidade internacional que seja mais rápida e aumente o apoio humanitário ao Sudão. Ele disse que este “é um momento crucial” e que é preciso garantir “que as pessoas tenham suas necessidades mais básicas atendidas.”

O chefe humanitário disse que "a crise econômica tem um impacto muito direto na vida das pessoas comuns, principalmente para mulheres e meninas.”

Ele foi acompanhado na visita pela chefe do escritório do Ocha no Sudão, Paola Emerson. No estado de Kassala mais de 400 mil pessoas estão sofrendo insegurança alimentar.

Paola Emerson contou à ONU News que a crise econômica está agravando a situação humanitária.

“Mais pessoas não têm acesso à saúde, há falta d´água, só 13% da população tem acesso à água potável, e vê-se um surto de doenças epidêmicas. Estamos aqui com o subsecretário-geral das Nações Unidas para Assuntos Humanitários para vermos a situação e para vermos como podemos apoiar a população em risco.”

Conflito

De acordo com o Ocha, apesar da continuidade do conflito no Sudão, os incidentes violentos diminuíram nos últimos anos.

Mais de 8,5 milhões de pessoas precisam de comida, nutrição, proteção ou outro tipo de assistência para sobreviver.  A expectativa é que esses números cresçam ainda mais.

Todo o país enfrenta uma escassez grave de medicamentos básicos e serviços de saúde. O Ocha aponta que anos de conflito deixaram quase dois milhões de pessoas deslocadas nas áreas de Darfur, Kordofan do Sul e Nilo Azul.

Comunidades

Em sua primeira visita ao país desde a formação de um governo de transição em agosto de 2019,  o chefe humanitário encontrou-se com comunidades locais afetadas por recentes choques econômicos e climáticos e surtos de doenças. 

O chefe humanitário disse que essas pessoas “vivem em uma área com surtos contínuos de dengue e malária, mas não podem pagar pelos medicamentos.” Fora isso, “as secas e inundações recorrentes significam que elas não podem produzir alimentos suficientes”.

Reuniões

Durante reuniões com o primeiro-ministro Abdalla Hamdok, membros do governo e do Conselho Soberano, o chefe humanitário elogiou o compromisso do país de melhorar o acesso das organizações humanitárias a pessoas carentes. Ele reconheceu vários passos positivos.

Lowcock afirmou que "nos últimos dias, o novo governo tomou decisões para melhorar o acesso, e a situação já é melhor do que tem sido por anos." Ele observou que a redução da burocracia administrativa é crucial para facilitar a movimentação de trabalhadores humanitários dentro do país.

O governo também está apoiando esforços para acessar áreas ainda sob o controle de grupos armados não-estatais.

 

 

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