Situação permanece “altamente volátil” na Faixa de Gaza, diz enviado da ONU
BR

20 novembro 2019

Conselho de Segurança abordou situação da região nesta quarta-feira; coordenador especial enfatizou direito dos palestinos de eleger seus líderes; Nickolay Mladenov diz que a ONU lamenta nova posição dos Estados Unidos sobre assentamentos israelenses.

O coordenador especial da ONU para o Processo de Paz no Oriente Médio, Nickolay Mladenov, disse que o “lançamento indiscriminado de foguetes e morteiros em centros populacionais civis é inaceitável e deve parar imediatamente”.

Coordenador especial da ONU para o Processo de Paz no Oriente Médio, Nickolay Mladenov. , by Foto ONU/Loey Felipe

Em sessão do Conselho de Segurança que abordou a região, realizada esta quarta-feira, o enviado destacou que “nada justifica a morte de civis, em qualquer lugar”,

Conselho de Segurança

Mladenov mencionou a recente escalada de violência entre Israel e a Jihad Islâmica da Palestina na Faixa de Gaza, declarando que “embora a crise imediata tenha sido difusa, a situação permanece altamente volátil.”

De acordo com representante, após um ataque de Israel que matou o comandante do grupo palestino, Baha Abual-Ata, em Gaza, mais de 500 foguetes foram lançados contra o país.

A recente escalada da violência foi precedida pelo lançamento de cerca de 10 foguetes de Gaza para Israel em 1º de novembro. Um deles atingiu uma casa na cidade de Sderot.

O enviado informou que as Forças de Defesa de Israel, IDF, disseram que 90% destes foguetes foram interceptados pelo sistema de defesa antiaéreo israelense denominado Iron Dome. Mas outros artefatos causaram danos a propriedades residenciais e comerciais ferindo 78 israelenses.

Resposta

Mladenov descreveu a resposta das forças de Israel aos ataques com foguetes. As  IDF realizaram uma série de ações contra alvos da Jihad Islâmica da Palestina  em Gaza. Ao todo, 34 palestinos foram mortos, incluindo três mulheres e oito crianças.

Entre as vítimas estavam oito membros de uma família, mortos em um
único ataque israelense. Mladenov disse que as IDF admitiram que a casa foi atingida por engano.

Para o coordenador especial, “este é um incidente trágico e hediondo e deve ser investigado de forma completa e imparcial.”

ONU

Mladenov reconheceu ainda o que chamou de “esforço extraordinário do Egito”, que atuou com a ONU para garantir que a calma fosse restaurada em Gaza após 48 horas de hostilidades. Para ele, se esses esforços tivessem falhado, seria o início de uma outra guerra, “muito pior do que o terrível conflito em 2014.”

O representante alertou ainda que apesar das negociações realizadas em 14 de novembro, “os perigos não passaram” e os lançamentos esporádicos de foguetes continuaram, o que provoca a retaliação israelense.

Para o enviado, Gaza exige “uma solução política” e a única forma de “ajudar os palestinos a se desenvolverem livremente, sem ocupações implacáveis e os israelenses a viver em segurança, livres do medo do terror e dos foguetes” é o alcance de uma solução de dois Estados.

Eleições

Neste sentido, Mladenov afirmou que é preciso uma saída para a crise que resulte em “algo mais do que outro cessar-fogo”.

Para o enviado, é necessário parar os disparos de foguetes, os ataques, a retaliação às provocações, redobrar os esforços para aliviar a crise e focar numa solução política sustentável a longo prazo.  Ele acrescentou que é fundamental “permitir que o povo palestino em todo o território ocupado vote e eleja seus líderes pela primeira vez desde 2006.”

O representante enfatizou que “eleições não são um presente, elas são um direito.”

Assentamentos

Mladenov também reiterou que a ONU lamenta o anúncio feito em 18 de novembro pelos Estados Unidos de que o país não vê os assentamentos israelenses como inconsistentes com o direito internacional.

Mladenov acrescentou que a posição das Nações Unidas permanece inalterada e que de acordo com a Resolução 2334 do Conselho “as atividades de assentamentos israelenses são uma violação flagrante sob o direito internacional e um grande obstáculo para a consecução da solução de dois Estados e uma paz justa, duradoura e abrangente.”

 

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