Chefe militar português vê opinião pública mais atenta à República Centro-Africana
BR

18 novembro 2019

Vice-comandante militar da Missão da ONU termina mandato esta semana; Marco Serronha deixa o cargo com esperança de sucesso do recente acordo de paz; Portugal tem 180 tropas no país. 

O vice-comandante da Força da Missão da ONU na República Centro-Africana, Minusca, completa esta semana a sua atuação no país.

Mais de um ano após sair de Lisboa para Bangui, o tenente-general português Marco Serronha disse que agora a nação africana é mais conhecida em seu próprio país e a opinião pública está mais sensível às questões centro-africanas.

Cerimónia de entrega de medalhas da Minusca. Foto: Minusca/Hervé Serefio

Grupos

A ONU atribuiu uma medalha de solidariedade pela contribuição do oficial na paz e estabilização do território centro-africano.

No momento de partida, Serronha recorda como foi lidar com a instabilidade causada por grupos armados. Nos últimos anos, centenas de pessoas morreram em atos de violência entre cristãos e muçulmanos em áreas próximas da fronteira com a República Democrática do Congo.

 “A Minusca não pode estar em todo o lado. Faz um esforço grande por estar, mas não está. E esse é um dos grandes desafios também que se põem aos capacetes azuis aqui na República Centro-Africana. A Minusca tem 11,6 militares em 600 mil quilómetros quadrados. Isso significa um capacete azul por cada 50 quilómetros quadrados, que é uma grande área. Há muitas zonas do país que não estão cobertas por haver essa impossibilidade.”

A época chuvosa no país dura 11 meses.  Esse é um dos maiores desafios para a ação dos capacetes-azuis na República centro-Africana, porque as limitações de movimento por estrada levam a depender de viagens aéreas, nem sempre possíveis.

A incapacidade de operação das tropas internacionais fica assim afetada, apesar de  unidades de engenharia atuarem para tornar as estradas principais mais utilizáveis.

Violações

O vice-comandante apontou ainda que o acordo de paz assinado este ano pelo Governo da República Centro-Africana e pelos 14 grupos rebeldes continua frágil.

Vários especialistas da ONU  já destacaram violações ao entendimento que foi negociado em Cartum, Sudão, e assinado na capital centro-africana, Bangui.

Segundo Serronha, sinais de paz e estabilização são visíveis e o acordo tem estado de pé por vários meses. No país, atuam 180 militares portugueses, em ciclo de seis meses.

 “Podia-se fazer mais. Independentemente disso, a comunidade internacional vai conseguindo que os grupos armados, pelo menos, se mantenham empenhados em participar no acordo. Embora com toda aquela lista de pequenas violações que, de algum modo, não tem sido fácil de impedir. Tirando o massacre de que falei, conseguimos em oito meses não ter eventos como massares de civis que houve no passado, o que  é um grande facto.”

O oficial disse que a atuação da Minusca ao lado de outras organizações internacionais apoia o governo centro-africano que “tem assumido a sua responsabilidade”.

Serronha vê perspetivas de melhora da segurança na implementação do acordo de paz. Essa situação poderá impulsionar as condições de desenvolvimento no país que está em conflito há mais de sete anos.

 

 

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