ONU acompanha retorno de refugiados de Angola à República Democrática do Congo
BR

13 novembro 2019

Grupo retorna à região de Kasai após melhora da segurança; brasileiro que lidera operação da agência de refugiados acompanha grupo; chefe das Nações Unidas destaca exemplo positivo de acolhida em Angola.

Milhares de congoleses voltam para casa, dois anos depois de terem recebido abrigo em Angola. Eles escolheram retornar após relatos de melhora da situação de segurança nas áreas de origem na República Democrática do Congo, RD Congo.

As Nações Unidas seguem a rota desse regresso que começou no Centro de Assentamento de Lóvua, na província de Lunda Norte, em Angola. O grupo que partiu esta terça-feira tem como destino a região congolesa de Kananga.

As expectativas dos congoleses incluem preparar o início do ano acadêmico no país de origem ou recuperar campos agrícolas. Foto: ONU Angola

Necessidades

Para a ONU, Angola é exemplo prático de um país que cumpriu com sucesso o Direito Humanitário. Com parceiros e os dois governos envolvidos, a organização ajudou a  atender as necessidades logísticas e humanitárias dos milhares de congoleses em território angolano.

O coordenador residente das Nações Unidas em Angola, Paolo Balladelli,   acompanha o grupo que segue para a fronteira de Tchicologo.

“Os refugiados congoleses estão a regressar para suas áreas de origem, especialmente Kananga. Está ainda a 20 horas de caminho. Uma coisa importante é que, esta manhã, já saiu uma parte importante de refugiados, estamos a falar de primeiramente 14,7 mil que já saíram de retorno espontâneo, e depois agora aproximadamente 2 mil, que já estão a caminho das áreas de origem. Este repatriamento de hoje é chamado organizado e voluntário. Organizado porque temos a presença importante do Acnur, da OIM, no transporte deste lado da fronteira, e de parceiros importantes como Médicos do Mundo assim como os Serviços Jesuítas e a Igreja da Noruega que permitem que este retorno seja não só organizado, mas sem graves problemas.

Lóvoa chegou a acolher 20 mil congoleses que fugiram da violência causada por  grupos armados na região congolesa de  Kasai. Foi a área que recebeu a maior parte dos 37 mil refugiados que foram obrigados a deixar seu país.

A Agência da ONU para Refugiados, Acnur,  ofereceu  condições para assentar uma grande parte desse total. Por isso, o  representante interino da agência em Angola, Wellington Carneiro, acompanha o percurso dos congoleses.

“Nós estamos na conclusão de um ciclo, o ciclo da proteção internacional. Os refugiados chegaram em 2017 e foram recebidos generosamente por Angola. Agora nós estamos concluindo essa fase. Já houve repatriamento espontâneo e agora a abertura da última rota que  seria a rota para Kassai Central, onde estamos fazendo uma operação com autocarros (ônibus), desde o assentamento do Lóvua até esta localidade que é centro de trânsito e aí então com caminhões até à fronteira do Tchicologo onde então cruzaremos a fronteira para a RDC e um centro de trânsito de Kalama Mbuji. Os refugiados que são dessa região poderão já retornar a seus locais de origem e os refugiados que estão no Kananga seguirão numa viagem para o Kananga numa viagem que se fará dentro território da RDC.”

As Nações Unidas anunciaram que no último mês sairam quatro comboios de viaturas de Angola com congoleses em direção à fronteira de Nachiri.

O percurso marca a contagem regressiva para uma vida já não mais de refugiados. As expectativas destes 200 congoleses incluem preparar o início do ano acadêmico no país de origem ou recuperar campos agrícolas na área que se reergue após onfrontos que desde 2017 deslocaram 1,4 milhão de pessoas.

 

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