ONU: 60 mil jovens migrantes que chegaram à Itália sozinhos precisam de apoio
BR

8 novembro 2019

Grupo inclui refugiados; relatório de três agências das Nações Unidas indica que eles enfrentam discriminação, desemprego, barreiras burocráticas e falta de informações legais.

Três agências da ONU lançaram um alerta sobre a situação de 60 mil jovens e adolescentes que chegaram à Itália desacompanhados.

Dois irmãos adolescentes da Gâmbia que viajaram sem os pais pelo mar Mediterrâneo caminham por uma praia na Itália.
Dois irmãos adolescentes da Gâmbia que viajaram sem os pais pelo mar Mediterrâneo caminham por uma praia na Itália. Foto:© Unicef/Ashley Gilbertson

O relatório do Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef, da Agência da ONU para Refugiados, Acnur, e da Organização Internacional para Migrações, informa que todos completaram 18 anos nos últimos cinco anos.

Relatório

No documento “Em uma encruzilhada: crianças desacompanhadas e separadas em sua transição para a idade adulta na Itália”, as agências alertam que o grupo precisa de apoio contínuo para garantir uma transição bem-sucedida para a vida adulta. Muitos são expostos à dor e a traumas emocionais por saírem de suas casas e fazerem viagens perigosas.

A coordenadora Nacional do Programa de Migração do Unicef na Itália, Anna Riatti, disse que "a diferença entre um refugiado ou migrante de 17 anos que fugiu de conflitos ou violência e um garoto de 18 anos que viveu a mesma experiência traumática é insignificante." Para ela, “a potencial perda de apoio contínuo para dezenas de milhares de jovens, devido a uma distinção artificial baseada na idade”, aumenta o risco de “isolamento social, violência, abuso e um futuro incerto”.

Desafios

Muitos têm de lidar com procedimentos lentos e complexos para obter documentos legais, discriminação e racismo.

Também existe a dificuldade de estudar e participar de treinamento, encontrar trabalho e superar traumas principalmente para as meninas.

O representante do Acnur para o sul da Europa, Roland Schilling, acredita que “ter uma compreensão mais clara dos fatores que favorecem ou impedem uma transição positiva entre uma criança refugiada e um adulto independente, autossuficiente e resiliente” ajudará os Estados a para proteger não apenas as crianças refugiadas, mas também a transição até à idade adulta.

Recomendações

O relatório faz recomendações às autoridades italianas e à Comissão Europeia. Entre elas: adotar uma estratégia nacional intersetorial para aumentar a inclusão social de refugiados e migrantes que completaram 18 anos, assim como um plano de ação nacional contra o racismo, a xenofobia e a discriminação.

As três agências da ONU dizem que é importante garantir de acesso a apoio psicossocial, assistência médica, educação, prevenção e resposta à violência baseada em gênero, serviços de treinamento e emprego.

Outras recomendações incluem informações sobre os perigos de se envolver em atividades informais e ilegais, como tráfico e exploração sexual, e o aumento da participação de refugiados e migrantes em atividades sociais e recreativas.

Entre 2014 e 2018, mais de 70 mil crianças refugiadas e migrantes desacompanhadas e separadas de suas famílias chegaram à Itália pelo mar. Destas, cerca de 90% tinham entre 15 e 17 anos.

 

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