Em exposição sobre Auschwitz e o Holocausto, Guterres lembra que “ódio mata”
BR

8 novembro 2019

Secretário-geral da ONU participou de evento para marcar os 81 anos da “Noite dos Cristais” em Museu da Herança Judaica de Nova Iorque; na madrugada de 9 para 10 de novembro de 1938, na Alemanha, sinagogas e lojas de proprietários judeus foram vandalizadas de forma sistemática.

O secretário-geral da ONU visitou esta quinta-feira uma exposição no Museu da Herança Judaica de Nova Iorque para marcar a “Noite dos Cristais”, quando sinagogas e lojas de proprietários judeus foram vandalizadas, sistematicamente, na madrugada de 9 para 10 de novembro de 1938, na Alemanha.

Num discurso durante a visita, António Guterres disse que “as pessoas não nascem para odiar.” Segundo ele, “a intolerância é ensinada e, por isso, pode ser prevenida e desaprendida.”

Em 2018, cerca de 200 líderes religiosos, diplomatas e outros representantes participaram em evento depois de ataque em sinagoga nos EUA, Foto ONU/Rick Bajornas

Exposição

Com cerca de 700 objetos e 400 fotografias, esta é a maior exposição dedicada ao campo de concentração de Auschwitz e o seu papel no holocausto já realizada na América do Norte.

Guterres disse que a iniciativa “é um apelo para ser testemunha e falar” sobre o tema.

O secretário-geral destacou sua experiencia pessoal, dizendo que “cresceu na Europa depois de o continente ter chegado à depravação.” E sabendo que, séculos antes, o seu país, Portugal, “tinha chegado ao cúmulo da discriminação expulsando os judeus em um ato de crueldade total.”

Como chefe da ONU, ele disse que vê todos os dias “lembranças da persistência do antissemitismo, ressurgimento de símbolos e slogans nazis e a ameaça crescente da supremacia branca e outras formas de intolerância.”

Sobreviventes

O secretário-geral lembrou ainda a história de um membro da sua equipe.

Na “Noite dos Cristais”, o pai desse funcionário da ONU tinha 16 e estava na rua, na cidade de Leipzig, quando começou a violência. Ele conseguiu escapar até casa, mas cinco meses depois teve de fugir com sua família para os Estados Unidos. Dezenas de seus familiares e amigos acabaram morrendo.

Décadas mais tarde, António Guterres disse que o mundo continua vendo sinais desse ódio. Nos últimos meses, o mundo assistiu à vandalização de túmulos judeus, memoriais do holocausto e disseminação de propagando antissemita. No ano passado, durante um ataque na Sinagoga Árvore da Vida, na cidade americana Pittsburgh, morreram 11 pessoas.

Segundo o secretário-geral, tudo isso mostra que “décadas depois do Holocausto, o ódio mais antigo do mundo ainda existe.”

Além disso, “outras formas de intolerância estão causando baixas, com bombardeamentos de igrejas, massacres em mesquitas e ataques a migrantes.” Segundo o chefe da ONU, “ódio mata”. 

Fanatismo

António Guterres também falou sobre o impacto das novas tecnologias, dizendo que “o mundo on-line provou ser uma benção para o fanatismo e a misoginia violenta.”

Secretário-geral depoista coroa de flores em Christchurch, na Nova Zelândia, depois de tiroteio em mesquita, ONU/Mark Garten

Ele contou que “terroristas e neonazistas estão aumentando o recrutamento e a radicalização” e que “têm tanta experiência em tecnologia quanto qualquer adolescente moderno.”

Ele também afirmou que “os adolescentes são o principal alvo” destes grupos e, por isso, pais, professores e líderes políticos “devem agir com urgência.”

Nações Unidas

O chefe da ONU recordou os esforços da organização nesta área, como a Estratégia e Plano de Ação sobre Discurso de Ódio e o Plano de Ação das Nações Unidas para Salvaguardar Locais Religiosos.

Ele anunciou ainda a realização de uma conferência sobre o papel da educação para aumentar a resiliência contra o discurso de ódio. Segundo ele, “os jovens estarão no centro” de todo o trabalho feito pela ONU.

Na sexta-feira, na sede da ONU, 100 alunos do ensino secundário e os seus professores vão participar num workshop sobre o impacto do holocausto nos jovens. Guterres espera que “o exercício inspire os jovens a fazer mais para combater o ódio e defender os direitos humanos.”

 

 

 

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