Unicef apoia programa de aulas pelo rádio para crianças em Camarões
BR

8 novembro 2019

Agência da ONU participa de iniciativa, que vai durar nove meses, para cobrir falta de aula causada pela violência no noroeste e sudoeste do país africano; Unicef afirma que todos os lados do conflito têm de proteger os alunos e seu direito de estudarem;

O Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef, fez um alerta sobre a situação de mais de 855 milhões de crianças em Camarões. A onda de violência que afeta o país há três anos impede as crianças de frequentar a escola no sudoeste e noroeste da nação africana.

Para compensar as aulas perdidas, a agência da ONU está apoiando uma iniciativa que utiliza programas de rádio para ensinar leitura e matemática. As aulas pelo rádio devem durar nove meses.

Crianças em uma escola primária do governo apoiada pela Unicef, em Douala, Camarões. Foto: © Unicef/Tanya Bindra

Futuro

Quase 150 mil crianças tiveram que fugir de suas casas por causa dos combates entre separatistas e forças do governo. Em algumas comunidades, os moradores estão se organizando para ensinar aos alunos. Ao saber disso, o Unicef abriu uma licitação para a compra de livros e outros materiais didáticos para 37 mil crianças em idade escolar.

A região do sudoeste e noroeste do país é habitada em sua maioria por cidadãos anglófonos. Em 2016, o governo, de maioria francófona, decidiu aumentar o uso da língua francesa no sistema educacional e em tribunais da região. 

O Unicef afirma que sem uma ação urgente, o futuro desses alunos estará em risco. A chefe da agência, Henrietta Fore, afirmou que milhares de crianças no país estão vivendo com medo. Fore disse que os alunos precisam de paz para retornarem às aulas e retomarem o futuro deles.

Pais e professores

A agência ressalta que crianças fora da escola ficam sob risco de recrutamento por parte de grupos armados, casamento infantil, gravidez precoce e outras formas de abusos.

Mais de 4,1 mil escolas primárias ou 90% dos colégios públicos estão parados na região; no caso de escolas secundárias, este número é de 77%. As aulas já começaram há dois meses, mas os alunos no noroeste e sudoeste dos Camarões continuam sem frequentas as aulas.

A violência faz com que pais e professores temam pela segurança das crianças.

 

 

 

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