Guterres quer maior reforço da parceria entre Sudeste Asiático e Nações Unidas
BR

3 novembro 2019

Crise da minoria rohingya em Mianmar, alterações climáticas e Agenda 2030 de Desenvolvimento Sustentável;  região concentra cerca de 70% da população global em maior risco com subida do nível do mar.

Em seu discurso no encontro de cúpula da Associação das Nações do Sudeste Asiático, Asean, o secretário-geral das Nações Unidas destacou a crise em Mianmar, as alterações climáticas e os avanços nas metas globais.

António Guterres disse estar preocupado com a situação da minoria rohingya de  Mianmar, incluindo o número de refugiados desta etnia.

Rakhine

O chefe da ONU elogiou o recente envolvimento da Asean com as autoridades birmanesas. Ele sublinhou que, em última análise, é responsabilidade de Mianmar “tratar das causas profundas e garantir um ambiente propício para o repatriamento seguro, voluntário, digno e sustentável dos refugiados ao estado de Rakhine”.

Guterres fez um apelo a todos os Estados-membros do grupo de países a continuarem desenvolvendo a parceria ONU-Asean para garantir que haja dignidade e oportunidades para os povos da região e além dela.

Em relação à mudança climática, Guterres destacou que quatro dos 10 países mais afetados são membros desse bloco regional. Essa situação justifica que a Asean “enfrente a emergência climática do mundo”.

Guterres relembrou que a região é altamente vulnerável, particularmente ao aumento do nível das águas do mar e as consequências serão catastróficas para as comunidades de áreas mais baixas como destaca uma pesquisa recente.

Subsídios

O chefe da ONU apontou que na Asean vive 70% da população global que mais corre o risco com a subida do nível do mar, além de outros habitantes de países representados na cúpula deste fim desta semana.

Por isso, o secretário-geral voltou defender a criação de uma taxa por emissão de carbono, de novas usinas de carvão até 2020 e o fim de trilhões de dólares de subsídios aos combustíveis fósseis.

De acordo com Guterres, outra preocupação é com o futuro impacto do grande número de novas centrais de carvão projetadas em várias regiões mundiais, incluindo países do leste, sul e sudeste da Ásia.

Guterres reiterou que os países desenvolvidos “devem cumprir seu compromisso” de mobilizar US$ 100 bilhões por ano até 2020 para a mitigação e adaptação da mudança do clima nos países em desenvolvimento.

Medidas

O chefe da ONU disse que conta com a liderança da Asean para que sejam tomadas medidas concretas para abordar a emergência climática do mundo.

O discurso de Guterres também mencionou o aumento das tensões comerciais e tecnológicas globais, além de preocupações e incertezas com as baixas perspetivas de crescimento econômico indicando que “nenhuma região está imune” a essas ameaças.

O representante também chamou a atenção dos participantes do encontro para o aumento das tensões entre os Estados Unidos e a China, que ele considerou de “uma outra preocupação emergindo no horizonte”

O chefe da ONU receia o que chamou de “uma grande fratura” a ser causada pela divisão das duas grandes economias do mundo.

Efeito Nulo

O secretário-geral destacou que cada uma delas tem uma “moeda dominante, regras comerciais e financeiras, capacidades de internet e inteligência artificial e suas próprias estratégias geopolíticas e militares de efeito nulo”.

Para Guterres, o mundo deve fazer tudo o que for possível para evitar essa “grande fratura” e enfatizou que é preciso manter as fortes instituições multilaterais e uma economia universal que respeite o direito internacional.

Guterres também destacou que o mundo está “muito aquém” de cumprir  os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, ODSs. Ele apontou que países da Asean tiraram milhões de pessoas da pobreza, mais ainda há povos deixados para trás.

Progresso

Guterres destacou que a estratégia regional de desenvolver até 2025 complementa a Agenda de Desenvolvimento 2030 e que a ONU está pronta para apoiar a aceleração do progresso regional.

O chefe da ONU disse haver esforços coletivos em áreas como paz, justiça, trabalho decente, ação climática e a atuação nos direitos humanos, com destaque para a promoção da liberdade de expressão e o direito a um ambiente saudável.

 

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