General brasileiro fala de atuação na RD Congo (Parte 1)
BR

1 novembro 2019

Neste Destaque ONU News Especial, acompanhe a primeira parte da conversa com o comandante das forças da Missão da ONU na RD Congo, Monusco. O general Elias Rodrigues Martins Filho conta como especialistas brasileiros formam militares congoleses e boinas-azuis para atuar em operações da selva na maior operação de paz do mundo.

 

No comando de mais de 15 mil homens na RD Congo, o oficial brasileiro lidera o combate a dezenas de grupos armados que atuam no país com impacto negativo na região africana dos Grandes Lagos. Nesta primeira parte da conversa, Elias Rodrigues Martins Filho também aborda o apoio das tropas de paz às eleições congolesas e a participação no combate ao vírus ebola, no país que vive a segunda maior epidemia da história.

 

Está à frente dos militares da Missão das Nações Unidas na República Democrática do Congo. Este ano, em particular, teve uma análise de peritos internacionais. Agora é o momento para perguntar, porque é que esta missão é relevante?

A Monusco é uma missão extremamente importante para todo o continente africano, em particular para a África Central. A Monusco trata de um problema que não é apenas congolês, é um problema, eu diria também, regional haja vista o número de grupos armados estrangeiros que estão locados na parte leste do país. Então, resolver o problema da Monusco e apoiar o governo da República Democrática do Congo na solução desses graves problemas é algo que nos permite trazer estabilidade não apenas para o país, mas para toda a região em torno dele, em particular a região dos Grandes Lagos.

 

Está num país que teve, recentemente, eleições que precisaram de uma particular atenção. Está num país, onde operam dezenas de grupos armados. Não é apenas um punhado, mas também está num país que tem a particularidade de estar, neste momento, a passar pela segunda maior epidemia de ebola, que as forças de paz também ajudam. Como é que essas forças, em particular, podem ser diferentes e ser um exemplo para o mundo?

Nós temos que considerar, por exemplo, que nós temos obtido uma série de conquistas nessa missão. Você acaba de citar uma que talvez seja das mais importantes, as eleições. As eleições ocorridas em janeiro desse ano, foram umas eleições bastante pacíficas e foi a primeira vez que nós pudemos presenciar naquele país uma transição democrática de poder. E isso fez com que o ambiente pacífico se estendesse por todo o país e tivesse como consequência um sentimento de que a população está cansada das lutas e está cansada das guerras. Mas, infelizmente, nós também, desde o 1º de agosto do ano passado, estamos enfrentando um grave surto do vírus do ebola. Um surto de vírus do ebola que já tem matado mais de 2,3 mil congoleses. Isso nos faz colocar, em primeira prioridade, o apoio às equipes humanitárias que estão lá deslocadas, vindas do mundo todo, para ajudar na contenção desse ebola outbreak. Nós também temos apoiado muitíssimo as equipes humanitárias provendo segurança e até mesmo ajudando na sensibilização das comunidades no tocante à importância das vacinas e das medidas preventivas que precisam ser implementadas para que o vírus seja contido. Hoje, nós temos a segurança de dizer que a doença ou vírus está sob controle. Nós temos mapeado as áreas onde há casos de ebola bastante definidos, mas temos ainda que dedicar muita atenção e muito cuidado a esse combate, porque basta um caso fugir de controle, para se contaminar verdadeiras populações. Então, estamos sim dando uma prioridade muito grande na contenção ao vírus do ebola, e apoiando as equipes humanitárias nesse sentido. O que faz a nossa tropa ter sido, vamos dizer, ainda não ter tido nenhum caso, é exatamente a conscientização e a implementação das medidas preventivas. As medidas preventivas, assim como a vacina que está sendo testada lá, têm se mostrado bastante efetivas e eficazes. E até hoje nós não tivemos algum caso sequer entre as nossas tropas.

 

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