Acnur: Venezuela tem segunda maior crise de refugiados do mundo após Síria
BR

29 outubro 2019

Situação no país obrigou 4,5 milhões de pessoas a fugirem de suas casas; em comunicado conjunto, organizadores dizem que até o próximo ano, número poderá chegar a 6,5 milhões de venezuelanos; evento recebeu promessas de € 120 milhões em ajuda humanitária.

As Nações Unidas e a União Europeia encerraram, nesta terça-feira, uma conferência internacional de solidariedade a migrantes e refugiados venezuelanos.

Desde 2015, mais de 4,5 milhões de pessoas foram forçadas a sair de suas casas para escapar da crise político-econômica no país. E de acordo com a ONU, até 2020, o número pode subir para 6,5 milhões.

Da Venezuela, uma mãe de 21 anos viaja sozinha com seu filho de três meses. Foto: © Unicef/Arcos

Importância

A crise de refugiados e migrantes venezuelanos é considerada pelo Acnur como a segunda maior do mundo ficando atrás apenas da Síria.

No evento, de dois dias em Bruxelas, foram prometidos mais de € 120 milhões em apoio aos venezuelanos que passaram a viver, em sua grande maioria, em outras partes da América Latina e do Caribe incluindo o Brasil.

A ONU News conversou com o porta-voz da Agência da ONU para Refugiados, Acnur, um dos co-organizadores da conferência. William Spindler disse que esta foi a primeira sobre o tema, realizada fora da região.

“É uma indicação da importância desta crise, que é a segunda mais importante crise de refugiados do mundo. Os países europeus responderam de uma maneira muito positiva e aberta com apoio financeiro, econômico, político e técnico. Esta é uma indicação de comunidade e está tendo um impacto a nível global porque agora não só temos refugiados na América Latina, mas também na Europa.”

Spindler disse que a Conferência de Solidariedade Internacional sobre a Crise dos Refugiados e Migrantes Venezuelanos não tinha como objetivo receber doações. Para ele, as promessas provam a gravidade da situação.

O evento foi liderado pela alta representante da Comissão Europeia, Federica Mogherini, pelo chefe do Acnur, Filippo Grandi, e pelo diretor-geral da Organização Internacional para Migrações, António Vitorino.

Unicef/ Arcos
A crise de refugiados e migrantes venezuelanos é considerada pelo Acnur como a segunda maior do mundo ficando atrás apenas da Síria.

Acolhimento

Em comunicado conjunto, os organizadores destacaram que a meta da conferência era aumentar a conscientização em nível global sobre a crise e os esforços de acolhimento em países e comunidades latino-americanas.

As cerca de 120 delegações internacionais, presentes ao evento, apoiaram uma resposta regional e coordenada.

No evento, ficou acordada a criação de uma parceria global e inclusiva de solidariedade e responsabilidade assumidas pela comunidade internacional e com os setores público e privado.

O comunicado revela que “a crise política, de direitos humanos e socioeconômica é grave e está piorando” na Venezuela.

A conferência reuniu os mais afetados da América Latina e do Caribe, doadores, agências da ONU, representantes da União Europeia, do setor privado, ONGs, sociedade civil e parceiros, incluindo instituições financeiras internacionais.

 

 

 

♦ Receba atualizações diretamente no seu email - Assine aqui a newsletter da ONU News
♦ Baixe o aplicativo/aplicação para - iOS ou Android
♦ Assista aos vídeos no Youtube e ouça a rádio no Soundcloud

 

Rastreador de notícias: últimas sobre o tema

Porta-voz do Acnur comenta Conferência sobre Venezuela

William Spindler falou à ONU News sobre a conclusão da Conferência Internacional de Solidariedade a Migrantes e Refugiados Venezuelanos; evento recebeu promessas de 120 milhões de euros para socorrer 4,5 milhões de pessoas que já fugiram para os países vizinhos por causa da crise política na Venezuela. Spindler conversou com o repórter Eleutério Guevane.

Conselho de Direitos Humanos cria missão para investigar crise na Venezuela

Resolução aprovada, esta sexta-feira, autoriza órgão independente para investigar crimes cometidos no país desde 2014; proposta foi apresentada pelo Grupo de Lima, que inclui o Brasil.