Vice-chefe da ONU visita Somália e diz que mulheres podem fazer diferença no país
BR

23 outubro 2019

Vice-secretária geral, Amina Mohammed, esteve na Somália como parte de uma visita à África; viagem é feita em parceria com União Africana; mais da metade da população vive na pobreza e 2,6 milhões de pessoas precisam de ajuda alimentar, de saúde e moradia. 

A vice-secretária geral da ONU, Amina Mohammed, afirmou que a Somália “obteve enormes progressos no caminho para a paz e estabilidade.”

A vice-chefe da ONU fez a declaração no encerramento de uma visita oficial ao país. Ela liderou uma delegação de alto nível das Nações Unidas e da União Africana.

Mulheres

Mohammed lembrou “décadas de conflito” que marcaram o país e “a violência que o povo ainda enfrenta todos os dias.” Mesmo assim, destacou várias conquistas, como o aumento da participação feminina na política.

Segundo ela, “as somalis participam dos esforços de paz e segurança e ajudam a promover a sociedade em direção a um futuro inclusivo e pacífico.”

A vice-secretária geral disse que “este é o futuro que o povo da Somália merece e que as Nações Unidas e a União Africana os apoiam totalmente.”

Amina Mohammed afirmou, no entanto, que “muito ainda precisa ser feito, especialmente para garantir a igualdade de gênero, incluindo a participação plena das mulheres nas eleições federais do próximo ano.”

Ela mencionou avanços nas áreas de direitos humanos, participação cívica, acesso à justiça e serviços básicos.

Delegação

Além de Mohammed, estiveram na Somália a enviada especial da União Africana para Mulheres, Paz e Segurança, Bineta Diop, e o enviado especial do secretário-geral para o Sudeste Africano, Parfait Onanga-Anyanga.

A delegação destacou a importância de esforços políticos nas áreas da paz e segurança, sobretudo no combate ao extremismo violento, realização de eleições e desenvolvimento. A delegação também expressou apoio ao papel crítico da missão da ONU na Somália, Amisom.

Na capital do país, Mogadíscio, o grupo se reuniu com o primeiro-ministro, Hassan Ali Khayre, e ministros do seu governo.

Amina Mohammed disse que “a oportunidade de ouvir vozes diversificadas sobre o papel das mulheres em diferentes setores mostrou como são vibrantes e engajadas.”

Mulher deslocada na Somália, PMA/Karel Prinsloo

Ela explicou que, para conseguir esse envolvimento, é preciso "desafiar algumas visões tradicionais desatualizadas sobre o papel das mulheres e criar um espaço para que elas possam atingir o seu potencial."

A delegação esteve na Somália como parte de uma viagem de seis dias a países do Sudeste Africano. Os representantes partiram na quarta-feira para o Djibouti.

Situação

Na terça-feira, a Organização Internacional para Migrações, OIM, informou que existem 2,6 milhões de pessoas deslocadas na Somália que precisam de ajuda alimentar, abrigo e serviços de saúde.

Segundo a agência, além das três décadas de conflito, a seca é a principal causa para o deslocamento e falta de alimentos.

Cerca de 30% da população estão em situação de insegurança alimentar, um total de 5,2 milhões de pessoas, incluindo 2,2 milhões que enfrentam insegurança alimentar aguda.

Mais da metade da população é pobre, com as taxas mais altas de pobreza nos assentamentos de deslocados. Em nota, o chefe de missão da OIM na Somália, Dyane Epstein, disse que "as necessidades são imensas”.

No total, em junho, a região do Leste e Sudeste de África tinha 8,1 milhões de deslocados internos e 3,5 milhões de refugiados e requerentes de asilo.

 

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