Guterres: mundo precisa evitar “fratura” global causada por tensões EUA-China
BR

21 outubro 2019

Secretário-geral fez a declaração, no fim de semana, durante Reuniões Anuais do Banco Mundial e do Fundo Monetário Internacional; nova chefe do FMI disse que uma “guerra comercial” entre os dois países ameaça ganhos da economia global.

O chefe das Nações Unidas lançou um alerta à comunidade econômica internacional para evitar o que ele chama de uma possível “fratura global” causada por “tempos de tensão e testes”, especialmente entre a relação comercial da China com os Estados Unidos.

António Guterres discursou nas Reuniões Anuais do Banco Mundial e do Fundo Monetário Internacional, FMI. Ele disse "temer a possibilidade de uma grande fratura entre as duas maiores economias dividindo o mundo em dois, cada um com sua moeda dominante, regras comerciais e financeiras, sua própria capacidade de internet e inteligência artificial e suas próprias estratégias geopolíticas e militares em que todos perdem.”

Ameaça

Durante evento, em Washington, o chefe da ONU afirmou que é preciso “fazer todo o possível” para evitar essa divisão. 

As Reuniões Anuais, encerradas no domingo, juntaram representantes de Bancos Centrais, do setor privado e da sociedade civil, ministros da economia e especialistas de todo o mundo para debater temas como erradicação da pobreza e desenvolvimento econômico.

A nova diretora-gerente do FMI, Kristalina Georgieva, também destacou que uma “guerra comercial” entre os dois países ameaça os ganhos da economia global. Segundo ela, no próximo ano, isso pode fazer com que o Produto Interno Bruto, PIB, global diminua a um valor "equivalente a toda a economia da Suíça".

Multipolar

Para Guterres, é preciso “manter uma economia universal respeitando o direito internacional e um mundo multipolar com fortes instituições multilaterais, como o Banco Mundial e o FMI.”

Ele observou três áreas principais em que a política fiscal e o investimento no futuro são fundamentais. Primeiro, que os sistemas tributários se tornem "mais inteligentes e mais alinhados por trás das agendas de desenvolvimento sustentável e ação climática."

Em segundo, que todo o sistema financeiro seja alinhado aos 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável, ODSs, incentivando finanças públicas e privadas de longo prazo e “repensando regulamentações financeiras que podem inadvertidamente incentivar o curto prazo nos mercados financeiros”.

Em terceiro lugar, Guterres disse que “é hora de interromper o ciclo de acumulação excessiva de dívidas, seguido por dolorosas crises”, o que significa adotar uma abordagem sistêmica para que tomar e dar empréstimos com maior responsabilidade.

Mudança Climática

O chefe da ONU acrescentou que também é necessário manter o foco nos países vulneráveis ​​aos impactos da crise climática, como os pequenos Estados insulares em desenvolvimento. Ele disse que apoia totalmente as propostas de conversão de dívidas em investimentos em resiliência.

Guterres pediu que o mundo “eleve a ambição para o financiamento do desenvolvimento, financiamento climático e financiamento que seja inclusivo e permita que os mercados cresçam, as empresas prosperem e as pessoas vivam com dignidade.”

Na reunião da Coalizão de Ministros das Finanças para Ação Climática, o chefe da ONU contou que o grupo de 44 membros lançado há apenas seis meses é "uma parte vital” da resposta à emergência climática.

O secretário-geral lembrou que o Encontro de Cúpula de Ação Climática que ocorreu no mês passado em Nova York durante a abertura da 74.ª sessão da Assembleia Geral, e declarou que "o mundo está acordando para a crise", com "grandes oportunidades" pela frente para reduzir a poluição do ar, economizar bilhões de dólares em desastres causados ​​pelo aquecimento global e liberar os verdadeiros benefícios da economia verde.

 

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