Enviado da ONU destaca “sinais de esperança” para o Iêmen
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17 outubro 2019

Conselho de Segurança debateu situação no país; Martin Griffiths destacou redução dos combates e libertação de prisioneiros; chefe humanitário disse que setembro foi o mês mais letal para civis, mas situação melhorou em outubro.

O enviado especial para o Iêmen, Martin Griffiths, disse que existem “sinais de esperança para o povo do Iêmen, mesmo no meio de um desespero, que às vezes parece interminável.”

Martin Griffiths falou ao Conselho de Segurança, nesta quinta-feira.

De acordo com a ONU, o Iêmen vive a pior crise humanitária do mundo. Foto: Ocha/Giles Clarke

Esperança

Apesar do progresso, ele afirmou que estes sinais “são frágeis e precisam de cuidado e atenção constantes.”

No sul do país, a situação continua volátil, mas não existem grandes combates. Para o enviado especial, “isso pode ser sinal da contenção das lideranças no terreno.”

Desde o início deste mês, o número de ataques aéreos diminuiu, consideravelmente, em todo o país. O enviado disse que “esse é um passo na direção certa.”

Segundo ele, “as partes estão mostrando um forte compromisso para chegar a um entendimento para aliviar o sofrimento do povo iemenita.”

Nas últimas semanas, por exemplo, os militantes houthis do grupo Ansar Allah libertaram 290 prisioneiros.

Ajuda humanitária

Nos últimos dias, o governo do Iêmen também passou a permitir a entrada de petroleiros na cidade portuária de Hodeida, o que deve facilitar a ajuda humanitária.

Ainda sobre ajuda humanitária, nesta quinta-feira, o Programa Mundial de Alimentos, PMA, está chegando com ajuda à cidade de Duraihmi. Em outra cidade, Taiz, os dois lados em conflito mostraram disponibilidade para abrir corredores humanitários. O enviado especial espera que, “desta vez, os relatos se transformem em realidade.”

Griffiths terminou dizem que “existem oportunidades que precisam ser aproveitadas”, mas que a comunidade internacional não deve ter “ilusões sobre os desafios e as dificuldades que tem pela frente.”

Unicef/Taha Almahbashi
Milhões de crianças em todo o Iêmen enfrentam sérias ameaças devido à desnutrição.

Situação humanitária

O subsecretário-geral dos Assuntos Humanitários, Mark Lowcock, disse que setembro foi o mês mais mortal para civis no Iêmen em 2019. Os relatos apontam para 388 mortos ou feridos, uma média de 13 pessoas todos os dias.

Lowcock disse que “existem muitos exemplos horríveis” e contou a história de quatro crianças, de uma mesma família, que foram mortas durante uma explosão em Hodeida.

Em outubro, ele disse que a situação "é um pouco melhor".

Foto Unicef /Ahmed Abdulhaleem
Agências humanitárias tiveram problemas de financiamento que causaram o encerramento de serviços importantes no Iêmen.

Financiamento

Lowcock lembrou que, durante grande parte do ano, agências humanitárias tiveram problemas de financiamento que causaram o encerramento de serviços importantes.

Nas últimas semanas, no entanto, doadores internacionais entregaram centenas de milhões de dólares, financiando o plano de resposta em 65%. Ele disse que isso é motivo de otimismo, porque permitirá salvar milhões de vidas.

Segundo Griffiths ainda existam grandes lacunas, mas as agências da ONU conseguiram reabrir muitos programas que tinham sido suspensos, no apoio a unidades de saúde, desnutrição e vacinação. Outros devem reabrir em breve.

Sobre a economia, o subsecretário-geral disse que o país esteve perto de uma situação de fome generalizada no ano passado. Griffiths disse que “todos devem estar preocupados” porque os indicadores econômicos estão apontando na mesma direção.

Segundo ele, “o Iêmen continua sendo a pior crise humanitária do mundo e a maior operação de resposta.” Mais de 250 agências humanitárias trabalham no terreno, sendo a maioria iemenita. Junto com as Nações Unidas, alcançam mais de 12 milhões de pessoas.

Apesar desse esforço, ele disse que “há muito mais para fazer se o objetivo não é apenas reduzir o sofrimento das pessoas, mas acabar com ele.” Para o chefe humanitário, “a única maneira de conseguir isso é acabando com a guerra.”

 

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