O que precisa acontecer depois do Encontro de Cúpula de Ação Climática
BR

16 outubro 2019

Em setembro, em Nova Iorque, foram anunciadas dezenas de novos compromissos para proteger o planeta; em entrevista à ONU News, especialista da Convenção sobre Mudança Climática explica o que precisa acontecer agora. 

Depois do Encontro de Cúpula de Ação Climática, realizado em setembro, em Nova Iorque, cidadãos de todo o mundo têm de tomar a “decisão fundamental” de combater a mudança climática.

Essa é a opinião do especialista da Convenção sobre Mudança Climática das Nações Unidas, Claudio Forner, que lidera a Equipe Ambição dessa organização da ONU.

Importância

Claudio Forner, da Convenção sobre Mudança Climática da ONU, ONU

Com sede em Bonn, na Alemanha, Claudio Forner e seus colegas analisam os compromissos de países, regiões e cidades para reduzir o aquecimento global.

Segundo o Painel Intergovernamental Sobre Mudanças Climáticas, Ipcc, o mundo deve limitar o aumento de temperatura a 1,5º C até ao final do século, comparando com os valores pré-revolução industrial.

No Encontro de Cúpula, muitas nações prometeram atingir a neutralidade de emissões de CO2 até 2050. Em entrevista à ONU News, Forner disse que essa medida é importante para limitar o aquecimento e que, se o mundo falhar nesse objetivo, “terá uma catástrofe global dentro de 50 anos.”

Para ele, “talvez seja irrealista sugerir que todas as emissões podem ser eliminadas”, mas isso pode ser corrigido com técnicas de captura de CO2. Ele diz que existem novas tecnologias disponíveis e outras soluções mais simples, como plantar árvores.

Compromissos

Dezenas de outros compromissos foram anunciados no mês passado. Borner disse que “está mais preocupado do que otimista”, mas que tem recebido “sinais fortes da sociedade civil e dos jovens exigindo mudança.”

Assembleia Geral durante Encontro de Cúpula para a Ação Climática, by Foto ONU/Loey Felipe

O especialista também explicou quais as iniciativas com maior impacto. Segundo ele, “uma mudança na forma como o mundo produz e consome energia é essencial.”

Ele deu vários exemplos, como eliminação das usinas de carvão, aumento das energias renováveis, melhoria dos meios de transporte público e fim do desmatamento.

Países como Chile, Alemanha, Itália e Nova Zelândia já prometeram abandonar o carvão. A Guatemala prometeu restaurar 1,5 milhão de hectares de floresta até 2022. O governo da Nigéria anunciou que empregará sua juventude plantando 25 milhões de árvores.

Poluentes

No total, mais de 70 países já assumiram o compromisso de ter neutralidade em carbono até 2050. Essa lista não inclui, no entanto, os três países que mais emitem gases de efeito de estufa no mundo: China, Estados Unidos e Índia.

Claudio Forner diz que “num mundo ideal, todos os países estariam participando, mas esta é uma mudança fundamental.” Ele contou que um número tão grande de países “tem um valor político” e espera que outros governos sigam o exemplo. 

Além disso, governos locais e sociedade civil estão atuando. Cidades na China anunciaram várias medidas e o estado da Califórnia, o mais populoso dos Estados Unidos, também está participando. Cerca de 90 empresas multinacionais, incluindo Danone, Nestlé e Ikea, vão mudar seus negócios para cumprir essas metas.

Secretario-geral António Guterres e a ativista sueca Greta Thumberg na abertura do Encontro de Cúpula da Juventude sobre o Clima, Foto ONU/Kim Haughton

Sobre financiamento, o especialista afirmou que “não existe falta de dinheiro no mundo, o problema é onde os fundos estão sendo investidos.”

Para ele, se houver vontade política, novas legislações regulando o tipo de investimentos que são feitos poderão ser aprovadas.

Benefícios

A Organização Internacional do Trabalho, OIT, estima que 2,5 milhões de novos empregos podem ser criados na geração de eletricidade com energias renováveis, mais do que compensando os 400 mil postos de trabalho que serão extintos nas energias fósseis.

No total, as Nações Unidas calculam que 65 milhões de novos empregos poderão surgir em setores que produzem baixas emissões até 2030.

Por tudo isso, Forner diz que “muitos países estão fazendo a transição porque já veem os benefícios.”  Para ele, “esta transformação global representa um novo mundo, que tem custos, mas também enormes oportunidades.”

 

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