Parceria em Moçambique pretende melhorar serviços de saúde sexual e reprodutiva

11 outubro 2019

Agências da ONU executam programa para mães, crianças e adolescentes; técnicos acompanharam ações no campo para melhorar qualidade de serviços com o apoio do Reino Unido; capacitação pretende melhorar experiências de profissionais de saúde.

Rosa Jorge é enfermeira de Saúde Materno-Infantil, SMI, no Centro de Saúde de Téngua, em Milange. Nesse distrito da província central da Zambézia está concentrada a terceira maior população de Moçambique.

Em meados de setembro, a profissional de saúde expôs os métodos modernos de planeamento familiar a jovens mães durante uma sessão acompanhada por técnicos das Nações Unidas. Outro tópico abordado na sessão de três horas foi como atender de forma mais humanizada aos habitantes da área de saúde de Téngua.

Meta do programa é baixar a mortalidade materna por complicações associadas à gravidez, ao parto e ao pós-parto. Foto: Unfpa Moçambique

Implante

Nesse encontro, 12 jovens mães da área tiveram a sua primeira experiência com o implante que também é mais conhecido por Implanon. Na conversa com as mães, em língua local, foi explicado como funciona o método que impede a fecundação.

Ao falar sobre as partes mais interessantes desse diálogo, a participante Rita Keneth, de 19 anos, contou que por recomendação de uma amiga acabou indo ao hospital onde procurou a enfermeira Rosa “para ajudar a fazer o planeamento”.

Após usar o implante, a mãe de três filhos revelou que foi incentivada a “não ter medo e nem vergonha” do contraceptivo. A enfermeira “coloca-o muito bem, não dói” e assegurou que ela “não teria problemas de saúde, nem com o marido”.

Tal como Rosa Jorge, várias enfermeiras oferecem serviços desse tipo com qualidade reconhecida em Moçambique. Além das consultas de planeamento familiar, estas profissionais ajudam em partos, consultas pré-natais e atendimento a casos de pediatria.

Parceria

O Ministério da Saúde de Moçambique oferece serviços para desenvolver a carreira dos profissionais de saúde materno-infantil, neonatal e do adolescente financiados pelo Departamento para o Desenvolvimento Internacional do Reino Unido, Dfid. A parceria inclui agências do Sistema das Nações Unidas.

Uma das inovações é a mentoria, na qual são capacitadas as pessoas no processo de trabalho para serem depois acompanhadas pela orientadora mais experiente no processo para aumentar sua experiência.

Os técnicos que acompanharam as atividades do programa que apoia a saúde reprodutiva materna, neonatal, infantil e do adolescente presenciaram uma parte das atividades das profissionais em distritos das províncias de Zambézia e Nampula.

Com o governo e representantes da saúde locais, os funcionários do Fundo das Nações Unidas para a População, Unfpa, da Organização Mundial da Saúde, OMS, e do Fundo da ONU para a Infância, Unicef, abordaram como impulsionar o acesso aos métodos modernos de planeamento familiar.

Em Moçambique as mulheres são 14,6 milhões dos 27,9 milhões de habitantes. Foto: Unicef/DE WET

Gravidez

A meta é baixar a mortalidade materna por complicações associadas à gravidez, ao parto e ao pós-parto. Dessa forma, será dada maior oportunidade às mulheres para adiarem a gravidez, espaçarem os nascimentos e reduzirem os casos de gestação não desejada.

Um dos desafios comuns no país é o aborto inseguro, que causa mais de uma em cada três mortes maternas segundo o Plano de Aceleração para o Aumento da Utilização dos Serviços de Planeamento Familiar e de Métodos Modernos de Contracepção 2014 - 2019.

Com o programa conjunto, iniciado em 2017, pretende-se aplicar US$ 30 milhões financiados pelo Dfid nas atividades de planeamento familiar com apoio técnico das três agências da ONU.

Em 2018, esta iniciativa entregou 32 ambulâncias, material médico cirúrgico, medicamentos e consumíveis para serem usados no país em cerimónia com a presença da Ministra da Saúde, Nazira Abdula.

Fecundidade  

Em Moçambique as mulheres são 14,6 milhões dos 27,9 milhões de habitantes. A taxa global de fecundidade é de 5,3 filhos por mulher, sendo 3,6 nas cidades e 6,1 nas zonas rurais.

Para o investigador e diretor do Centro de Pesquisa em População e Saúde em Moçambique, tanto a redução da fecundidade como da razão de dependência pode ter impactos extremamente positivos sobre o crescimento económico.

Para Carlos Arnaldo, a combinação do crescimento populacional e do aumento da população economicamente ativa revela como “a mudança da estrutura etária da população poderá impulsionar o crescimento económico”.

Por essa razão, o Dfid declarou que a parceria com agências das Nações Unidas em Moçambique deverá reforçar as ações do Ministério da Saúde. Essas medidas pretendem melhorar a qualidade das atividades na saúde reprodutiva, materna, neonatal, infantil e do adolescente.

Elvisney Cardoso, da ONU em Moçambique para a ONU News.

 

 

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