Ações de reflorestamento integram dezenas de cidadãos que voltam à Guiné-Bissau

9 outubro 2019

Mais de 125 migrantes participaram no plantio de árvores durante seis meses no leste; atividades marcam primeira fase da reintegração de mais de 500 pessoas retornadas do Níger e da Líbia.

Pelo menos 200 árvores foram plantadas na Guiné-Bissau durante a mais recente ação de reflorestamento da Organização Internacional para Migrações, OIM, que envolveu 25 pessoas retornadas à área de Gabu, no leste.

Nessas atividades foram cobertos 13 mil metros quadrados de superfície em quatro dias, na região que enfrenta “um grande desmatamento”. Um grupo de 15 membros da comunidade participou na ação promovida pela agência da ONU.

A erosão do solo é  uma das principais ameaças ambientais no país da África Ocidental, ONU News/Alexandre Soares

Oportunidades

Gabu é conhecida como uma das áreas mais propensas à migração. Muitos jovens deixam a Guiné-Bissau em busca de melhores oportunidades de subsistência no exterior.

O país também recebe migrantes da África Ocidental e Central. Um estudo feito em 2018 revelou que mais de 70 mil pessoas da Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental, Cedeao, viviam na nação lusófona.

As ações implementadas pela OIM desde março incluem reflorestamento e saneamento. No total, 125 guineenses foram envolvidos nessas atividades com dezenas de membros da comunidade local. 

A erosão do solo é  uma das principais ameaças ambientais no país da África Ocidental, que acaba impulsionando a migração e pressionando a economia das áreas rurais.

Impacto

Para a OIM,  o plantio de árvores é um meio de combater a erosão com maior impacto por travar o deslocamento de agricultores pobres que optariam por procurar novos meios de subsistência nas cidades ou no exterior.

Com o reflorestamento de Gabu começou a reintegração de cerca de 529 migrantes retornados de forma voluntária do Níger e da Líbia. Nos últimos dois anos, uma iniciativa da agência apoiou esse processo com fundos da União Europeia.

Para a chefe do Escritório da OIM na Guiné-Bissau, Laura Amadori, a iniciativa apoia os beneficiários com fundos para a transição entre o retorno e a reintegração, contribuindo para desenvolver as comunidades que voltam a receber os guinnenses. 

Tensões

A representante destacou que essas atividades facilitam a reinserção social porque também envolvem os habitantes locais, evitando que haja tensões entre os retornados e a população.

Em dezembro passado, a Guiné-Bissau foi um dos 150 países que assinaram o Pacto Global para Migrações. A OIM apoiou o governo guineense na definição das prioridades nacionais do Plano de Ação para o Pacto Global para Migração.

Com a implementação dessa estratégia, a expectativa é melhorar a forma como o país lida com as migrações, incluindo as negociações com os países da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa sobre a mobilidade no bloco.

 

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