ONU quer respeito aos direitos de participantes em protestos que deixaram mortos no Iraque

4 outubro 2019

Escritório de Direitos Humanos confirma morte de 12 pessoas e centenas de detenções em Bagdá; relatos indicam que teriam havido até 30 vítimas fatais em várias áreas do país; apelo ao governo iraquiano é que permita o livre exercício do direito à liberdade de expressão e de reunião pacífica.

As Nações Unidas pediram esta sexta-feira que o Iraque considere os direitos dos manifestantes que esta semana protestam contra a falta de empregos e acesso a serviços básicos em diferentes partes do país.

O Escritório da Alta Comissária dos Direitos Humanos emitiu uma nota, em Genebra, destacando que a maioria dos manifestantes, que é jovem e desempregada, “exige que seus direitos econômicos e sociais sejam respeitados”.

Manifestantes

O escritório expressa preocupação com relatos de uso pelas forças de segurança de munição real, balas de borracha e cartuchos de gás lacrimogêneo que atingiram diretamente os manifestantes.

Representante especial da ONU no Iraque manteve encontros com vários manifestantes e autoridades locais.
Representante especial da ONU no Iraque manteve encontros com vários manifestantes e autoridades locais. , by Foto ONU/ Cia Pak

Especialistas de direitos humanos da ONU confirmaram a morte de 12 pessoas na capital Bagdá, mas há relatos de até 30 vítimas fatais em protestos ocorridos em várias vilas e cidades. Outras centenas de pessoas ficaram feridas, incluindo membros das forças de segurança.

O escritório aponta que dezenas de manifestantes foram detidos, embora a maioria tenha sido libertada posteriormente. Dois de três jornalistas detidos também foram soltos e houve cortes da ligação da internet em várias províncias.

Emprego

A nota sublinha que as autoridades são obrigadas a fazer tudo o que for possível para apoiar a sobrevivência dos cidadãos, o que inclui abordar o direito ao emprego e permitir reivindicações de forma pacífica.

De acordo com o escritório, o governo iraquiano deve permitir o livre exercício do direito à liberdade de expressão e de reunião pacífica destacando que “o uso da força deve ser excepcional”, e as concentrações normalmente devem ser gerenciadas sem recorrer à violência.

Antes, o porta-voz do secretário-geral, Stephane Dujarric, saudou o anúncio das autoridades iraquianas da abertura de uma investigação sobre as mortes que aconteceram nas manifestações.

O apelo às autoridades é que respeitem o direito de reunião livre e pacífica e que seja evitado o uso excessivo da força.

Calma 

No Iraque, a enviada das Nações Unidas para o país, Jeanine Hennis-Plasschaert, manteve encontros com vários manifestantes aos quais pediu calma e diálogo.

A representante também destacou que são legítimas as exigências dos manifestantes que pedem reformas econômicas, empregos, serviços públicos confiáveis, prestação de contas, governança produtiva e imparcial.

Hennis-Plasschaert também se reuniu com autoridades iraquianas, às quais pediu máxima contenção na forma como estas lidam com os protestos, e “que permitam que haja espaço para que os manifestantes pacíficos expressem livremente suas opiniões, de acordo com a lei.”

 

 

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