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Ex-chefe da FAO diz que programa fome zero teria que incluir, hoje, combate à obesidade BR

José Graziano da Silva, Diretor-Geral da FAO, aparece retratado em um escritório corporativo com a bandeira das Nações Unidas ao fundo.
Daniela Gross/ONU News José Graziano da Silva acaba de lançar livro sobre seus dois mandatos à frente da FAO.

Ex-chefe da FAO diz que programa fome zero teria que incluir, hoje, combate à obesidade

Assuntos da ONU

Diretor-geral da agência da ONU até 31 de julho, José Graziano da Silva, acaba de lançar livro sobre seus dois mandatos à frente da FAO;  para ele, maior dificuldade no combate à fome é estabelecer liderança na sociedade.

Uma obra retratando a trajetória do brasileiro José Graziano da Silva como diretor-geral da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação, FAO,  está disponível ao público a partir desta semana.

O livro “De Fome Zero a Zero Hunger – Uma Perspectiva Global” revela o percurso do autor desde o início de sua carreira na agência, em 2012, até quando cessou funções em junho deste ano. O economista também revisita sua passagem no combate à fome através do programa Fome Zero, gerido por ele no Brasil.

Crianças em idade escolar fazendo uma refeição em mesas ao ar livre.
ONU defende que um terço da produção alimentar global é desperdiçada.  Foto: FAO

Interligação

“O livro procura também destacar que hoje não basta só combater a fome. Tem que tratar também o tema da má nutrição, principalmente o tema da obesidade. Se hoje for a fazer algum programa “Fome Zero” teria de ser um programa “Fome Zero e Gordo Zero”. Acabar com a obesidade é o grande desafio que nós temos de momento, sem falar da questão de promover uma agricultura sustentável porque os temas da fome, da obesidade e da mudança climática estão profundamente interligados. Uma interligação muito explícita, fácil de ver, é o desperdício dos alimentos, a perda dos alimentos.”

A ONU defende que um terço da produção alimentar global é desperdiçada. Para Graziano da Silva, diminuir esse número ajudaria a reduzir a pressão sobre recursos naturais como terra e água.

Pacto Político

Graziano disse acreditar ainda que criar um pacto político na sociedade seria a chave para erradicar a fome e a má nutrição, e não propriamente a questão de fundos.

“Então, eu vejo, hoje, muito mais dificuldade em estabelecer essa liderança. Em estabelecer esse pacto político de uma sociedade. é a sociedade que decide erradicar a fome e a má nutrição. E é muito mais difícil fazer isso do que, de fato, implementar o programa. Muita gente fica pensando que não tem dinheiro, não é um problema de dinheiro. O dinheiro aparece e custa muito menos do que a gente imagina.”

O atual diretor-geral da FAO, Qu Dongyu assina o prefácio da obra lançada esta semana no Brasil em português.

Qu Dongyu entrega um crachá de credenciamento a outro delegado durante uma sessão na 41ª Conferência da FAO em Roma.
FAO/Alessandra Benedetti Qu Dongyu, da China, sucedeu o brasileiro Graziano da Silva no comando da FAO.