Ex-chefe da FAO diz que programa fome zero teria que incluir, hoje, combate à obesidade
BR

2 outubro 2019

Diretor-geral da agência da ONU até 31 de julho, José Graziano da Silva, acaba de lançar livro sobre seus dois mandatos à frente da FAO;  para ele, maior dificuldade no combate à fome é estabelecer liderança na sociedade.

Uma obra retratando a trajetória do brasileiro José Graziano da Silva como diretor-geral da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação, FAO,  está disponível ao público a partir desta semana.

O livro “De Fome Zero a Zero Hunger – Uma Perspectiva Global” revela o percurso do autor desde o início de sua carreira na agência, em 2012, até quando cessou funções em junho deste ano. O economista também revisita sua passagem no combate à fome através do programa Fome Zero, gerido por ele no Brasil.

ONU defende que um terço da produção alimentar global é desperdiçada.  Foto: FAO

Interligação

“O livro procura também destacar que hoje não basta só combater a fome. Tem que tratar também o tema da má nutrição, principalmente o tema da obesidade. Se hoje for a fazer algum programa “Fome Zero” teria de ser um programa “Fome Zero e Gordo Zero”. Acabar com a obesidade é o grande desafio que nós temos de momento, sem falar da questão de promover uma agricultura sustentável porque os temas da fome, da obesidade e da mudança climática estão profundamente interligados. Uma interligação muito explícita, fácil de ver, é o desperdício dos alimentos, a perda dos alimentos.”

A ONU defende que um terço da produção alimentar global é desperdiçada. Para Graziano da Silva, diminuir esse número ajudaria a reduzir a pressão sobre recursos naturais como terra e água.

Pacto Político

Graziano disse acreditar ainda que criar um pacto político na sociedade seria a chave para erradicar a fome e a má nutrição, e não propriamente a questão de fundos.

“Então, eu vejo, hoje, muito mais dificuldade em estabelecer essa liderança. Em estabelecer esse pacto político de uma sociedade. é a sociedade que decide erradicar a fome e a má nutrição. E é muito mais difícil fazer isso do que, de fato, implementar o programa. Muita gente fica pensando que não tem dinheiro, não é um problema de dinheiro. O dinheiro aparece e custa muito menos do que a gente imagina.”

O atual diretor-geral da FAO, Qu Dongyu assina o prefácio da obra lançada esta semana no Brasil em português.

FAO/Alessandra Benedetti
Qu Dongyu, da China, sucedeu o brasileiro Graziano da Silva no comando da FAO.

 

 

♦ Receba atualizações diretamente no seu email - Assine aqui a newsletter da ONU News
♦ Baixe o aplicativo/aplicação para - iOS ou Android
♦ Assista aos vídeos no Youtube e ouça a rádio no Soundcloud

 

Rastreador de notícias: últimas sobre o tema

Graziano da Silva termina mandato na FAO melhorando “a vida das pessoas mais vulneráveis”

Quarta-feira, 31 de julho, foi o último dia do brasileiro como diretor-geral da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação; Qu Dongyu, da China, inicia mandato prometendo abordagens inovadoras.

Em despedida da FAO, Graziano diz que todo o tempo acreditou que a fome pode ser erradicada no mundo

O diretor-geral da Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação, FAO, deverá deixar o cargo no final deste mês. Acompanhe a entrevista de despedida de José Graziano da Silva à ONU News, em Nova Iorque. O brasileiro fala da questão da fome, da obesidade e da marca que gostaria de deixar para a posteridade.