Conselho de Segurança debate papel de jovens para silenciar armas em África até 2020

2 outubro 2019

Discussão abordou iniciativa da União Africana; continente é o mais jovem do mundo, com 65% da população com menos de 30 anos.  

África é o continente mais jovem do mundo e o papel dessa juventude é crucial para alcançar o objetivo de silenciar as armas no continente até 2020.

Essa foi a grande mensagem de um encontro do Conselho de Segurança, esta quarta-feira, onde os países-membros discutiram como mobilizar a juventude para alcançar o objetivo estabelecido pela União Africana.

Necessidade

Conselheira especial do secretário-geral sobre África, Bience Gawanas, no Conselho de Segurança, Foto ONU/Kim Haughton

A conselheira especial do secretário-geral sobre África, Bience Gawanas, disse que essa mobilização é “uma necessidade absoluta”.

Mais de 20% da população africana tem entre 15 e 24 anos, cerca de 220 milhões de pessoas. Na próxima década, esse número deve subir para 350 milhões.

Além do objetivo de silenciar as armas, Gawanas afirmou que a ajuda dos jovens é necessária para combater ameaças à paz e seguranca, como extremismo violento, terrorismo, violência sexual, xenofobia, segurança cibernética e crime organizado.

Primeiro, a especialista disse que é preciso resolver as causas desses problemas, como exclusão, desigualdade, alto desemprego e mudança climática.

Depois, é preciso mudar as perspectivas sobre os jovens, que “são muitas vezes distorcidas por estereótipos contagiosos que associam os jovens à violência e conflito.” Segundo ela, isso “resulta em políticas duras, que são contra produtivas e caras.”

A conselheira afirmou que os jovens são “na realidade pacíficos e empreendedores” e “se os investimentos certos forem feitos e se o seu envolvimento social, político e econômico for reconhecido, as sociedades podem colher dividendos para a paz.”

Avanços

Gawanas deu depois exemplos de como isso pode acontecer. No Sudão do Sul, os representantes da juventude no Fórum de Revitalização de Alto Nível negociaram um lugar para os jovens nas novas estruturas de governo, através de um sistema de quotas.

Vários países estão implementando a Carta da Juventude de África e alguns Estados criaram leis e campanhas sobre o tema. Na Nigéria, foi lançada a campanha “Não é novo demais para concorrer” e na Nigéria a iniciativa “Vote aos 18”. Em outros países, educação para a paz foi incorporada nos currículos escolares.

No Mapa da União Africana para Silenciar as Armas até 2020, a organização inclui vários passos para combater o desemprego jovem.  Uma das iniciativas é a campanha “1 milhão de empregos até 2021”.

A União Africana ainda incentiva a criação de plataformas para jovens, inclusive através das redes sociais, e pede aos Estados que dediquem parte do seu orçamento a programas de empoderamento para essa população.

Parceria

As Nações Unidas também trabalham com países africanos e organizações regionais nesta área.

Em 2016, por exemplo, o Fundo de Construção da Paz criou a Iniciativa Para a Promoção da Juventude.

Em três anos, a inciativa investiu US$ 28,8 milhões em 22 projetos espalhados por 11 países. Outra iniciativa foi a realização do Fórum Regional de Jovens para a Paz e Segurança da Comunidade Econômica dos Estados da África Ocidental, Cedeao, que aconteceu em Ouagadugu, capital do Burkina Fasso, em 2018.

Em fevereiro, o Conselho de Segurança aprovou, por unanimidade, uma resolução para silenciar as armas em África até 2020, reforçando a parceria entre a ONU e a União Africana.

Durante o encontro desta quarta-feira, a conselheira especial fez outra proposta. Segundo ela, o Conselho de Seguranca deve criar um grupo informal de especialistas sobre paz e segurança composto unicamente de jovens e representantes de organizações de juventude.

Conselho de Segurança debate paz e segurança em África, Foto ONU/Eskinder Debebe

Jovens

Três jovens africanos partilharam a sua história na sessão. Victor Ochen, do Uganda, e Hafsa Ahmed, do Quênia, participaram por videoconferência, contando como histórias de trauma motivam seu ativismo para a paz.

Em Nova Iorque, a enviada especial da União Africana para a Juventude, Aya Chebbi, lembrou uma história semelhante.

Ela disse que há cerca de uma década, na Tunísia, um primo decidiu aderir ao Estado Islâmico do Iraque e do Levante, Isil. A jovem nunca percebeu como poderiam tomar decisões tão diferentes, tendo tido uma infância parecida. Ela contou que foi isso que motivou a sua tese sobre recrutamento de movimentos extremistas.

Uma das suas conclusões tem a ver com narrativa. Ela disse que os jovens são sempre mostrados com armas, como refugiados, e que, quando o seu valor não é reconhecido, “eles buscam reconhecimento onde ele existe.” Segundo ela, foi isso que o seu primo encontrou no Isil.

A enviada especial disse que é “necessária uma liderança corajosa” porque a sua geração “está pronta para contribuir.” Segundo ela, “os jovens já estão construindo a África que desejam, sem fronteiras, multilíngue e dinâmica.”

Ainda em outubro, durante a presidência sul-africana do Conselho de Seguranca, o órgão deve aprovar uma declaração presidencial sobre este tema.

Em fevereiro do próximo ano, na próxima Cúpula da União Africana, será lançada uma campanha a nível continental para alcançar o objetivo de silenciar as armas em África até 2020.  

 

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