Ministro de Portugal discutiu crise na Venezuela “todos os dias” na Assembleia Geral
BR

26 setembro 2019

Chefe da diplomacia portuguesa, Augusto Santos Silva, informou que solução da crise interessa a Portugal especialmente por causa da presença de 300 mil portugueses na nação sul-americana.

A atual crise política na Venezuela esteve presente em debates da Assembleia Geral e também em encontros paralelos de líderes internacionais à margem do evento anual, em Nova Iorque.

Numa entrevista à ONU News, o chefe da diplomacia de Portugal, disse que participou, diariamente, de encontros em busca de uma solução para o impasse.

Para o Ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal, a solução da crise passa por novas eleições. Foto: ONU News

 “Infelizmente, a situação económica e social que se vive na Venezuela está a degradar-se a cada dia que passa. Felizmente, já houve consciência de todas as partes da gravidade da situação humanitária e da necessidade de acudir a essa situação. E já hoje o sistema das Nações Unidas, que coordena a ação humanitária de várias proveniências, que procura beneficiar a população venezuelana e também dos Estados vizinhos que estão hoje a receber mais de 4 milhões de migrantes venezuelanos.”

Augusto Santos Silva disse que seu país quer ver a crise resolvida assim como atender aos cerca de 300 mil portugueses que vivem na Venezuela.

Para o Ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal, a solução da crise passa por novas eleições.

“O processo político está bloqueado, visto que se vive na Venezuela uma situação paradoxal. Há um presidente cuja eleição não foi reconhecida por dezenas de países. Há a Assembleia Nacional, que tem o outro presidente, e há aqui um conflito de legitimidades políticas e eleitorais que na nossa opinião devia ser superada pela forma como é a democracia. Nós costumamos resolver os nossos problemas que é devolvendo a voz ao povo indo a eleições e quem o povo escolher que governe.”

O Brasil é o quinto país que mais recebe venezuelanos na América Latina, no que é considerado um dos maiores movimentos da população do Hemisfério Ocidental. A grande maioria que deixa a Venezuela está na Colômbia, seguida por Peru, Chile e Equador.

Augusto Santos Silva contou que se reuniu com seu homólogo, o ministro das Relações Exteriores da Venezuela, Jorge Arreaza, a também com contrapartes associadas ao presidente da Assembleia Nacional venezuelana, Juan Guaidó.

Acnur/Vincent Tremeau
Agências da ONU apontam que mais de 4.3 milhões de venezuelanos teriam deixado o seu país de origem.

Contatos

 “Em todos os dias desde domingo eu tenho tido reuniões a propósito da Venezuela. Reuni com as duas partes, faço sempre questão de ter contatos com todos os atores na Venezuela. Portanto, reuni com meu colega ministro das Relações Exteriores da Venezuela, mas reuni também com o representante no exterior do presidente da Assembleia Nacional, Juan Guaidó. Tivemos a reunião do Grupo Internacional de Contato, reunimos ontem com o grupo de Lima. No jantar transatlântico, que reúne Estados Unidos, Canadá e países europeus esse foi um dos temas. Hoje vou ter um almoço de trabalho sobre esse tema.”

Antes da crise, Portugal tinha na Venezuela a segunda maior comunidade na América Latina depois do Brasil.

O número de luso-descendentes chegou a 1,3 milhão. Muitos retornaram a Portugal após a crise, e os que ainda permanecem preocupam o governo de Lisboa.

Acnur/ Stephen Ferry
A maioria dos venezuelanos que fugiu continua na América Latina. Mais de metade vive na Colômbia, no Peru, no Chile, no Equador, na Argentina e no Brasil.

Melhorias

 “Não tenho nenhum interesse na Venezuela, a não ser aquele que decorre de haver 300 mil cidadãos portugueses e luso venezuelanos a viver na Venezuela. E o meu único interesse é tentar ajudar. Tentar ajudar a que haja uma situação pacífica política porque isso resultar em melhorias para o bem-estar de portugueses que lá vivem. Esse é o meu único interesse.”

As Nações Unidas calculam que a migração em massa que se seguiu à crise política levou 4,3 milhões de venezuelanos a deixaram o país.

 

 

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