Na ONU, presidente Jair Bolsonaro apresenta “um novo Brasil”
BR

24 setembro 2019

Bolsonaro explicou como seu governo está tentando resgatar o patriotismo e “rechaçar o socialismo” de várias décadas; para chefe de Estado, a floresta amazônica é do Brasil e o país é soberano para gerenciá-la; este é o primeiro discurso do presidente nas Nações Unidas desde que foi eleito no ano passado.

O debate geral de líderes internacionais nas Nações Unidas foi aberto pelo presidente do Brasil, Jair Messias Bolsonaro.

É a primeira vez que o presidente eleito, em 2018, comparece às Nações Unidas para participar do maior evento no calendário anual da organização.

Veja aqui o discurso na íntegra

O secretário-geral António Guterres se encontrou com o presidente do Brasil, Jair Bolsonaro. Foto: ONU/Eskinder Debeb

Comitiva Brasileira

O presidente veio acompanhado pela primeira-dama, Michelle Bolsonaro, e pelos ministros das Relações Exteriores, do Meio Ambiente, da Saúde e pelo titular da Secretaria de Governo.

Bolsonaro, que sofreu um atentado durante a campanha eleitoral, iniciou o discurso agradecendo a Deus pela sua vida e pela “missão de presidir o Brasil”.

O presidente disse que vinha à ONU para apresentar um “novo país”.

“Senhoras e senhores, apresento aos senhores um novo Brasil, que ressurge depois de estar à beira do socialismo. Um Brasil que está sendo reconstruído a partir dos anseios e dos ideais de seu povo. No meu governo, o Brasil vem trabalhando para reconquistar a confiança do mundo, diminuindo o desemprego, a violência e o risco para os negócios, por meio da desburocratização, da desregulamentação e, em especial, pelo exemplo.”

O presidente falou sobre a crise política na Venezuela e disse que seu país está ajudando os venezuelanos que cruzam a fronteira para buscar abrigo no Brasil. Bolsonaro afirmou que a liberdade política só existe com livre mercado, privatizações e com uma economia livre. Ele lembrou que o Brasil está se preparando a adesão à Organização sobre Cooperação e Desenvolvimento Econômico, Ocde.

Amazônia

Ao tratar de um tema de interesse para o mundo, a Amazônia, o presidente foi direto.

“Em primeiro lugar, meu governo tem um compromisso solene com a preservação do meio ambiente e do desenvolvimento sustentável em benefício do Brasil e do mundo. O Brasil é um dos países mais ricos em biodiversidade e riquezas minerais. Nossa Amazônia é maior que toda a Europa Ocidental e permanece praticamente intocada. Prova de que somos um dos países que mais protegem o meio ambiente.

Nesta época do ano, o clima seco e os ventos favorecem queimadas espontâneas e criminosas. Vale ressaltar que existem também queimadas praticadas por índios e populações locais, como parte de sua respectiva cultura e forma de sobrevivência. Problemas qualquer país os tem. Contudo, os ataques sensacionalistas que sofremos por grande parte da mídia internacional devido aos focos de incêndio na Amazônia despertaram nosso sentimento patriótico.”

Jair Bolsonaro contou que 14% do território brasileiro estão demarcados como terra indígena e que seu governo não realizará mais demarcações. O presidente lembrou que o território é maior do que Portugal.

Foto ONU/Cia Pak
Assembleia Geral da ONU abriga a maior reunião sobre a situação dos direitos das mulheres no mundo.

Crimes Ambientais

O líder brasileiro disse ainda que seu governo tem tolerância zero para a criminalidade incluindo crimes ambientais. Ele citou o trabalho “corajoso” que seu ministro da Justiça, Sérgio Moro, tem feito na área. Como exemplo, Bolsonaro falou sobre a queda nas taxas de homicídio e o aumento no número de apreensão de drogas, como a cocaína pela polícia.

“Nossa política é de tolerância zero para com a criminalidade, aí incluídos os crimes ambientais. Quero reafirmar minha posição de que qualquer iniciativa de ajuda ou apoio a preservação da floresta amazônica ou de outros biomas deve ser tratado em pleno respeito à soberania brasileira. Também rechaçamos as tentativas de instrumentalizar a questão ambiental ou a política indigenista em prol de interesses politicos ou econômicos externos.”

O chefe de Estado disse que o país está pronto para “em parcerias e agregando valor, aproveitar de forma sustentável todo o nosso potencial.”

ONU/Eskinder Debeb
Brasil coopera há 70 anos na área de operações de paz com as Nações Unidas.

Estados Unidos

Jair Bolsonaro também elogiou a cooperação do Brasil com os Estados Unidos e a sua relação de trabalho com o presidente americano, Donald Trump, que compreende a importância da soberania dos países.

O presidente comentou que seu governo tem investido na promoção do Brasil no exterior. Segundo ele, facilitando políticas de vistos para países como Austrália, Canadá e Japão.

Ao falar de direitos humanos e liberdades, Bolsonaro reiterou a importância do combate à perseguição religiosa ao considerar ser inadmissível que em pleno século 21, milhões de cristãos tenham perdido a vida por causa da fé que professam.

Brasil nas Missões de Paz

O presidente ainda ressaltou a contribuição do Brasil às Nações Unidas na área de operações de paz, onde o país coopera há 70 anos.

"Apoiamos todos os esforços para que essas missões se tornem mais efetivas e tragam benefícios reais e concretos para os países que as recebem. Nas circunstâncias mais variadas - no Haiti, no Líbano, na República Democrática do Congo -, os contingentes brasileiros são reconhecidos pela qualidade de seu trabalho e pelo respeito à população, aos direitos humanos e aos princípios que norteiam as operações de manutenção de paz. Reafirmo nossa disposição de manter contribuição concreta às missões da ONU, inclusive no que diz respeito ao treinamento e à capacitação de tropas, área em que temos reconhecida experiência."

Jair Bolsonaro encerrou seu discurso dizendo que o Brasil está aberto à cooperação com todos.

Acompanhe aqui a cobertura especial da 74ª sessão da Assembleia Geral da ONU

 

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