Unicef e OMS dizem que taxas de mortalidade materno-infantil nunca foram tão baixas

19 setembro 2019

Apesar disso, a cada 11 segundos uma grávida ou um recém-nascido perdem a vida; desde 2000, o número de mortes infantis caiu para quase metade; dados mostram vastas desigualdades em todo o mundo.

Mais mulheres e recém-nascidos sobrevivem do que em qualquer outro momento da história, de acordo com estimativas divulgadas pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância, Unicef, e pela Organização Mundial da Saúde, OMS, esta quinta-feira.

Desde 2000, a taxa de mortalidade infantil caiu quase 50%. Já as mortes maternas diminuíram em mais de 30%, principalmente devido ao melhor acesso a serviços de saúde de qualidade.

Cobertura universal

Descida nos números se deve, em parte, a melhores cuidados de saúde, Unicef/Shehzad Noorani

Em nota, o diretor-geral da OMS, Tedros Ghebreyesus, disse que "nos países que fornecem serviços de saúde seguros, acessíveis e de alta qualidade para todos, as mulheres e bebês sobrevivem." Segundo ele, "esse é o poder da cobertura universal de saúde."

Em 2018, morreram cerca de 6,2 milhões de crianças com menos de 15 anos. Mais de 290 mil mulheres perderam a vida devido a complicações durante gravidez e parto em 2017. Cerca de 5,3 milhões morreram nos primeiros cinco anos de vida, com quase metade acontecendo no primeiro mês.

Segundo a OMS, mulheres e recém-nascidos são mais vulneráveis ​​durante e imediatamente após o parto. Estima-se que 2,8 milhões de grávidas e recém-nascidos morrem a cada ano, principalmente de causas evitáveis.

Riscos

As crianças enfrentam o maior risco no primeiro mês, principalmente se nascerem muito cedo ou muito pequenas, tiverem complicações durante o nascimento, defeitos congênitos ou infecções. Cerca de 30% dessas mortes ocorrem no primeiro dia de vida.

Em nota, a diretora executiva do Unicef, Henrietta Fore, disse pessoas com conhecimento “para ajudar mães e recém-nascidos, água potável, nutrição adequada, medicamentos básicos e vacinas podem fazer a diferença entre vida e morte.”

Para Fore, a comunidade internacional deve “fazer todo o necessário para investir na cobertura universal de saúde para salvar essas vidas preciosas.”

Desigualdades

Os novos dados mostram vastas desigualdades em todo o mundo. Na África Subsaariana, o risco de morte é bem mais alto do que em todas as outras regiões.

Os níveis de mortes maternas são quase 50 vezes maiores para as mulheres nesta região do que nos países de alta renda.

Em 2018, uma em cada 13 crianças na África Subsaariana perdeu a vida antes do seu quinto aniversário. Esse número é 15 vezes maior do que na Europa, onde apenas morre uma criança em cada 196.

No total, a África Subsaariana e o sul da Ásia representam cerca de 80% das mortes maternas e infantis.

Custos dos cuidados pré-natais e serviços de parto podem impedir que as mulheres grávidas de procurar atendimento médico, colocando em risco a vida das mães e seus bebês, Unicef/UN0281069/Vishwanathan

Progresso

Segundo as agências da ONU, o mundo obteve progressos nesta área. Desde 1990, o número de mortes de crianças menores de 15 anos caiu 56%, passando de 14,2 milhões para 6,2 milhões em 2018.

Quanto à taxa de mortalidade materna, caiu 38% entre 2000 a 2017. Os melhores resultados aconteceram no sul da Ásia, com uma redução de quase 60% na taxa.

Para a OMS, “o sucesso se deve à vontade política de melhorar o acesso a serviços de saúde de qualidade, investindo na força de trabalho em saúde, introduzindo atendimento gratuito para grávidas e crianças e apoiando o planejamento familiar.”

Metas globais

Na Agenda 2030 sobre o Desenvolvimento Sustentável, os Estados-membros se comprometeram em reduzir a taxa de mortalidade materna global para menos de 70 casos para cada 100 mil recém-nascidos vivos até 2030. Segundo a OMS, com o ritmo de progresso atual, o mundo ficará aquém dessa meta em mais de 1 milhão de óbitos.

Quanto aos recém-nascidos, o objetivo é ter menos de 12 casos em cada mil nascimentos.  Em 2018, 121 países já haviam atingido essa meta. Entre os 74 Estados-membros restantes, 53 países precisam acelerar o progresso para cumprir o objetivo.

 

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