Paz começa “a gerar ganhos” um ano após novo acordo no Sudão do Sul
BR

18 setembro 2019

ONU informou que mais de meio milhão de pessoas já retornaram às áreas de origem; no Conselho de Segurança, enviado revela que ex-inimigos se sentam de forma amigável na mesma mesa planejando o futuro.

As Nações Unidas consideram que a paz começa a gerar ganhos para os cidadãos do Sudão do Sul, um ano após a assinatura do acordo para o fim do conflito.

Falando esta quarta-feira no Conselho de Segurança, o enviado especial do secretário-geral no país disse que em grande parte “o cessar-fogo continua sendo mantido” no mais novo país do mundo. David Shearer destacou que a violência política e o deslocamento diminuíram de forma acentuada.

No Conselho de Segurança, David Shearer, representante especial da missão da ONU no Sudão do Sul, ouve o relatório do secretário-geral sobre o planejamento futuro da proteção de locais civis no Sudão do Sul. Foto: ONU/Ariana Lindquist

Acordo de Paz

Em todo o país, cerca de 594 mil pessoas retornaram às áreas de origem desde que o acordo de paz foi assinado em setembro de 2018. Entre as partes que assinaram o entendimento para acabar com o conflito estavam o presidente Salva Kiir e o líder rebelde Riek Machar.

No mesmo período, pelo menos 17 mil deslocados deixaram os locais de proteção da Missão da ONU no país, Unmiss, onde ainda estão abrigados 180 mil sul-sudaneses.

Apesar de considerar que a “situação de muitos cidadãos permanece sombria”, Shearer revelou que “o último ano de paz deu início a um processo transformador que está melhorando vidas”.

Ele atribui o mérito desse cessar-fogo e da confiança gerada pelo processo de paz aos líderes do país e parceiros internacionais.  O representante disse ter testemunhado em todo o país “ex-inimigos sentados de forma amigável na mesma mesa planejando juntos o futuro”.

Parceria

O também chefe da Unmiss disse que trabalha ao lado das partes para estabelecer as bases de uma paz sustentada em parceria com a comunidade regional Igad e a União Africana.

Para Shearer é essencial manter a dinâmica do processo de paz que permanece precário apesar dos progressos. Para o enviado, deve continuar a boa vontade das partes e um foco dos parceiros internacionais no apoio à formação de um governo de transição.

ONU/Isaac Billy
Sudão do Sul vive a maior crise de deslocamento da África.

Segurança

Para o representante da ONU, as autoridades devem mostrar resultados tangíveis tendo recomendado que haja atenção na unificação das forças de segurança, na busca de consenso sobre os estados e fronteiras, além de uma decisão sobre os novos vice-presidentes e suas funções.

Cerca de 6,3 milhões de sul-sudaneses enfrentam insegurança alimentar e têm acesso limitado aos cuidados de saúde. O número corresponde a 54% da população do país.  

 

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